Consulte · Prescrições comentadas

Taquicardia ventricular

Quatro cenários com o mesmo QRS largo e condutas opostas: monomórfica, polimórfica, torsades e o impostor pré-excitado. Errar a classificação é errar tudo — a página começa por ela.

Serve para a taquicardia de QRS largo com pulso. Se o paciente está instável, o caminho já foi dado na taquiarritmia instável (monomórfica → CVE; polimórfica → desfibrilar). Esta página cuida do que vem antes e depois do choque no paciente que dá tempo: classificar, escolher droga, tratar a causa — e não cair na armadilha de "TSV com aberrância".

Antes de prescrever qualquer item desta página.

Doses seguem ESC 2022 (arritmias ventriculares), AHA/ACC/HRS 2017 e o ACLS, e não substituem o protocolo do seu serviço. Atenção às apresentações do sulfato de magnésio (10% × 50%) e à disponibilidade real de procainamida — a farmácia local decide parte desta página.

Como usar.

A ordem é a do raciocínio: a regra do QRS largo, a monomórfica estável, a polimórfica dividida pelo QT, o impostor pré-excitado — e a causa, que é onde a TV se resolve de verdade. Dose sempre visível; o porquê em "por quê & armadilhas".

Item por item

QRS largo é TV até prova em contrário
monitor, acesso, ECG 12 derivações — e a humildade de não apostar em "aberrância"
Taquicardia regular de QRS largo em adulto: ~80% é TV — e sobe para > 90% se há cardiopatia estrutural/infarto prévio · na dúvida, tratar como TV
Classificar em segundos: monomórfica (QRS iguais) · polimórfica (QRS mudando) · irregular + largo + morfologia variável = pensar FA pré-excitada (item 06)
!
Verapamil/diltiazem no QRS largo "apostando em TSV com aberrância" é o erro clássico e letal desta página: na TV, o bloqueador de cálcio tira o inotropismo e derruba o paciente em choque/FV. Se não tem certeza absoluta de que é supraventricular, não bloqueie o nó.
Por quê & armadilhas

A estatística é a proteção: apostar em aberrância para "poder dar verapamil" é apostar contra 4 em 5 — com a vida do paciente na mesa. Tratar TSV como TV custa pouco (amiodarona e choque funcionam nas duas); tratar TV como TSV pode custar tudo. Dissociação AV, batimentos de captura/fusão e concordância precordial confirmam TV quando presentes — mas a ausência deles não autoriza a aposta contrária.

ESC 2022 (ehac262) · AHA — ACLS.
Primeira escolha: cardioversão eletiva, com calma de eletiva
estável é quem pode ser sedado direito antes do choque
CVE sincronizada 100 J bifásico (escalonar se falhar), com sedoanalgesia escolhida pela hemodinâmica — técnica, cargas e drogas na página da taqui instável
Por quê & armadilhas

Na TV monomórfica sustentada com cardiopatia, o choque sincronizado é a terapia mais eficaz e mais previsível que existe — reverte em segundos o que a droga reverte em dezenas de minutos (ou não reverte). "Estável" aqui é um estado provisório: aproveite-o para sedar bem, sincronizar e resolver — não para acumular antiarrítmico esperando o instável chegar.

ESC 2022 · AHA — ACLS.
Alternativa química — e a manutenção que segue
quando a sedação é de alto risco, ou para prevenir recorrência após a reversão
Amiodarona: ataque 300 mg em SG 5% 100–250 mL EV em 20–30 minmanutenção 900 mg em 24 h (1 mg/min por 6 h → 0,5 mg/min por 18 h) · recorrência: bolus adicional de 150 mg conforme protocolo · o total costuma ser limitado a 2,2 g/24 h · preferir acesso central se infusão prolongada · na parada, o esquema é outro (300 mg em bolus — ACLS)
Vigiar hipotensão (mais com infusão rápida), bradicardia, prolongamento do QT e função hepática · corrigir K e Mg
QTc — Bazett e Fridericia ≥ 500 ms = risco de torsades
Procainamida, onde disponível — reversão mais rápida e menos hipotensão que amiodarona na TV estável (PROCAMIO): 20–50 mg/min EV até suprimir a arritmia, surgir hipotensão, o QRS alargar > 50% ou atingir o total de 17 mg/kg → manutenção 1–4 mg/min
Evitar procainamida em QT longo e em IC · reduzir a manutenção na doença renal crônica e no idoso · ECG e PA contínuos durante toda a infusão; preparo conforme padronização da farmácia
Após 24–48 h de EV, a transição para amiodarona VO (impregnação cumulativa) e a decisão de mantê-la são conduta de cardiologia/eletrofisiologia — não item de folha pronta
Por quê & armadilhas

O PROCAMIO fez a pergunta direta — procainamida ou amiodarona na TV estável? — e a procainamida venceu em reversão e em eventos adversos. O problema é de prateleira: ela sumiu de boa parte das farmácias brasileiras, e a amiodarona virou o padrão prático. Funciona, mas devagar — e é aqui que mora a armadilha da "estabilidade química": três ampolas empilhadas em uma hora derrubam pressão sem reverter ritmo. Duas tentativas sem sucesso = voltar ao item 02.

PROCAMIO — Ortiz M, et al. Eur Heart J. 2017;38(17):1329–1335 · ESC 2022.
Polimórfica com QT normal — pense isquemia
ela raramente dá tempo: desfibrilar quando sustentada, investigar coronária sempre
Sustentada/degenerando: desfibrilar (não sincroniza — o aparelho não acha QRS) · salvas autolimitadas recorrentes: amiodarona (doses do item 03) + corrigir K⁺ ≥ 4,0 / Mg²⁺ ≥ 2,0
Tempestade elétrica / polimórfica recorrente: bloqueio simpáticobetabloqueador (o ensaio randomizado favorece propranolol 40 mg VO 6/6 h sobre metoprolol, associado à amiodarona) + sedação · a evidência forte de betabloqueador na TV é esta — tempestade e QT longo — não a TV monomórfica estável isolada
Isquemia é a causa até prova em contrário: ECG seriado, troponina, e discutir cateterismo urgente — TV polimórfica recorrente pode ser o único sinal do vaso fechando
Por quê & armadilhas

Polimórfica com QT de base normal é, na prática da emergência, isquemia até que a coronária prove o contrário — e nesse cenário o melhor antiarrítmico chama-se reperfusão. O betabloqueador tem papel na tempestade elétrica isquêmica (reduz o drive simpático que alimenta as salvas), sempre com a hemodinâmica vigiada. O que não pode acontecer é tratar salva após salva com choque e amiodarona sem ninguém pedir o cateterismo.

ESC 2022 — bloqueio antiadrenérgico na tempestade elétrica · Chatzidou S, et al. Propranolol versus metoprolol for treatment of electrical storm. J Am Coll Cardiol. 2018;71(17):1897–1906 — propranolol + amiodarona encerrou a tempestade mais rápido e com menos recorrência · AHA/ACC/HRS 2017.
Torsades de pointes — QT longo, magnésio e a nuance que muda tudo
a polimórfica que "torce" sobre um QTc geralmente > 500 ms
Sulfato de magnésio 1–2 g EV em 10–15 min, mesmo com magnésio sérico normal — pode repetir; infusão contínua conforme protocolo · atenção à ampola: MgSO₄ 10% (1 g/10 mL) × 50% (5 g/10 mL) — conferir antes de correr
Suspender todo prolongador de QT (a lista rápida: antiarrítmicos Ia/III, macrolídeos, quinolonas, azólicos, antipsicóticos, antieméticos em dose alta, metadona) + repor K⁺ para 4,5–5,0
Recorrente e bradicardia-dependente (QT longo adquirido): encurtar o QT acelerando — isoproterenol onde houver, ou marca-passo (transcutâneo → transvenoso) com FC 90–110 · QT longo congênito: o caminho é oposto — betabloqueador e especialista, isoproterenol não
!
Amiodarona não vai na torsades — ela prolonga QT e alimenta a arritmia que você quer apagar. Se precisar de antiarrítmico além do magnésio, a opção é lidocaína 1–1,5 mg/kg EV em bolus lento (2–3 min), repetível 0,5–0,75 mg/kg a cada 5–10 min (máx. 3 mg/kg) → infusão 1–4 mg/min.
Por quê & armadilhas

A torsades é a arritmia em que o reflexo padrão erra duas vezes: amiodarona (prolonga o QT que a causou) e "só chocar" (ela volta, porque o terreno — QT longo, hipoK, hipoMg, bradicardia com pausas — continua lá). O magnésio estabiliza mesmo com nível sérico normal; o potássio alto-normal encurta a repolarização; e a frequência é antiarrítmico: cada pausa longa arma a próxima salva, por isso acelerar (isoproterenol ou marca-passo) trata o adquirido. O congênito inverte a lógica — o gatilho é adrenérgico, e betabloqueio é a base. Distinguir os dois é anamnese: droga nova e bradicardia contam uma história; síncope de esforço na família conta outra.

ESC 2022 · AHA/ACC/HRS 2017 — torsades e síndromes de QT longo.
FA pré-excitada — irregular, largo e proibido de bloquear
QRS largo + RR irregular + morfologia variando batimento a batimento
CVE sincronizada (carga alta, ex.: 200 J bifásico) é a conduta de escolha — mesmo relativamente estável, a janela pode fechar rápido
Depois: encaminhar para ablação da via acessória — é curativa e encerra o risco
!
Contraindicados: adenosina, betabloqueador, verapamil/diltiazem, digital e amiodarona EV. Bloquear o nó AV deixa a via acessória sozinha conduzindo a FA — a resposta ventricular dispara e degenera em FV.
Por quê & armadilhas

É o ritmo que pune o reflexo certo do cenário errado: tudo que funciona na FA comum (frear o nó) aqui abre caminho para a FV. A assinatura no monitor é única — irregular como FA, largo como TV, e com QRS que muda de cara a cada batimento porque a fração conduzida pela via muda. A amiodarona EV entra na lista de proibidos por um motivo específico: o efeito betabloqueador/bloqueador de nó da infusão aguda chega antes do efeito antiarrítmico. Choque resolve; ablação cura.

ESC 2022 · ESC 2019 (TSV/WPW) — FA pré-excitada.
Caçar a causa — a TV é sintoma de um coração com história
o ECG sinusal pós-reversão vale tanto quanto o da crise
Isquemia (ECG seriado + troponina → SCA) · K⁺/Mg²⁺ (e as drogas que os derrubam: furosemida, HCTZ) · ECG de base: QTc, sinais de Brugada, ondas épsilon (displasia de VD), cicatriz · ecocardiograma na internação · Chagas — no Brasil, causa clássica de TV com cicatriz em quem viveu em área endêmica · revisar drogas pró-arrítmicas
Por quê & armadilhas

TV sustentada em coração adulto quase sempre tem substrato — cicatriz isquêmica, chagásica, displasia, canalopatia — e o substrato é o que define o risco de a próxima ser fatal. O ECG sinusal pós-reversão é a radiografia desse substrato: QT, pré-excitação, Brugada e cicatriz aparecem nele, não na crise. E vale o registro brasileiro pela segunda página seguida: a cardiopatia chagásica é das causas mais arritmogênicas que existem — sorologia em quem tem epidemiologia.

ESC 2022 · AHA/ACC/HRS 2017 · diretrizes brasileiras de doença de Chagas.
Prevenção de morte súbita — e o kit da vigilância
a decisão do CDI não é do plantão, mas nasce do que o plantão documentar
CDI (prevenção secundária) é avaliação de eletrofisiologia — o papel do plantão é internar monitorizado, documentar (ECGs da crise e sinusal, eco, eletrólitos) e não dar alta da TV sustentada sem esse caminho traçado
Kit: monitorização contínua · dipirona 1 g EV/VO 6/6 h SN ou paracetamol · antiemético SN · profilaxia de TEV se houver risco trombótico e mobilidade reduzida — decidir por risco, não por tempo de internação: pesar sangramento, plaquetas, função renal, procedimento previsto e anticoagulação já plena · HGT 6/6 h se DM/jejum/crítico (alvo 140–180, protocolo do serviço) · dieta zero até definir conduta → liberar conforme estabilidade
Por quê & armadilhas

TV sustentada revertida não é caso encerrado — é morte súbita adiada até que alguém decida o contrário, e quem decide (CDI? ablação? só a revascularização?) precisa do dossiê que o plantão monta: os traçados, o eco, a causa. A amiodarona de manutenção alivia a recorrência, mas não substitui essa decisão — o erro de sistema é o paciente sair "estável, com amiodarona" e sem o encaminhamento que muda a sobrevida.

ESC 2022 · AHA/ACC/HRS 2017 — prevenção secundária de morte súbita.
Dieta
a primeira linha da prescrição que todo mundo escreve no automático
Dieta conforme o quadro — via oral se desperta, deglute e não há procedimento previsto · zero se rebaixado, instável ou com via aérea em risco, reavaliando cedo · sonda enteral se o jejum passar de 48–72 h
Jejum tem data e hora — escrever o motivo e quando reavaliar. "Jejum" sem prazo vira desnutrição de terceira semana
Disfagia: triagem antes da primeira colher em qualquer rebaixamento, AVC ou pós-extubação — falhou, sonda; a medicação também passa por ela
Por quê & armadilhas

O jejum prolongado é a prescrição mais barata de escrever e uma das mais caras de sustentar: cada dia sem aporte custa massa muscular num paciente que vai precisar dela para desmamar, sentar e andar. A pergunta de visita não é "está em jejum?", é "por que ainda está, e até quando?".

Cuidados de enfermagem — a rotina que evita a segunda doença
decúbito, pele, cabeceira e oxigênio: o que não aparece na evolução até virar problema
Sinais vitais e rotina de UTI 2/2 h (espaçar conforme estabilidade) · balanço hídrico e diurese registrados
Cabeceira 30–45° — reduz aspiração e pneumonia associada à ventilação · abaixar só com motivo escrito (choque, procedimento)
Mudança de decúbito 2/2 h + avaliação diária da pele nas proeminências (sacro, calcâneo, occipital, trocânter) · colchão de redistribuição de pressão no imóvel
Curativos inspecionados por turno; datar a troca · higiene oral com antisséptico no intubado · olhos lubrificados no sedado
Fisioterapia — fisioterapia motora e respiratória desde o primeiro dia, conforme tolerância
Oxigênio conforme necessidade: SpO₂ 90–96% na maioria dos adultos · 88–92% se houver DPOC ou risco de hipercapnia. Oxigênio é droga: tem alvo, tem dose e tem excesso
Por quê & armadilhas

Estes itens não competem com a doença principal — eles decidem se o paciente sai da UTI com a doença resolvida e o corpo inteiro, ou resolvido e com uma lesão por pressão em sacro que vai custar meses. Lesão por pressão, pneumonia por aspiração e fraqueza adquirida na UTI são as três complicações que a prescrição previne com linhas que ninguém lê.

A cabeceira elevada é o exemplo perfeito: é gratuita, tem efeito documentado sobre pneumonia associada à ventilação, e é a primeira coisa que se perde quando o leito é abaixado para um procedimento e ninguém sobe de volta.

Profilaxia de úlcera de estresse — só com indicação
não é carimbo de internação: sem fator de risco, o dano supera o benefício
Com indicação: inibidor de bomba de prótons — omeprazol ou pantoprazol 40 mg EV ou VO 1×/dia, conforme padronização do serviço
Reavaliar a indicação todo dia — ela costuma sumir antes da alta da UTI, e a prescrição costuma continuar.
O preço de prescrever sem indicação: mais pneumonia associada à ventilação, mais C. difficile, e a prescrição crônica que sai junto na receita de alta
Há indicação de profilaxia? fator maior ou 2 menores
Por quê & armadilhas

Os dois fatores de risco independentes clássicos vêm do estudo de Cook: ventilação mecânica prolongada e coagulopatia. Fora deles, o sangramento clinicamente importante é raro o suficiente para que o dano da supressão ácida — pneumonia e colite por C. difficile — comece a pesar mais.

A armadilha real não é começar, é não parar. A indicação some quando o paciente extuba e a coagulação normaliza; a prescrição, não. É assim que um inibidor de bomba iniciado numa UTI vira uso crônico de anos, com a hipomagnesemia que ele causa aparecendo lá na frente, sem que ninguém ligue os dois.

Cook DJ, Fuller HD, Guyatt GH, et al. Risk factors for gastrointestinal bleeding in critically ill patients. N Engl J Med. 1994;330(6):377–381 — os dois fatores independentes. Os fatores menores vêm de consensos posteriores; não há escore validado único.
Profilaxia de TEV — pelo risco, não pelo tempo de internação
"internou, prescreve" é o erro nos dois sentidos: sobra em quem não precisa e falta em quem precisa
Farmacológica, com indicação e sem sangramento: enoxaparina 40 mg SC 1×/dia · ClCr < 30: enoxaparina 20 mg SC 1×/dia ou HNF 5.000 UI SC 8/8–12/12 h, conforme protocolo
Mecânica (compressão pneumática intermitente) quando a farmacológica está contraindicada — sangramento ativo, plaquetopenia grave, pós-operatório neurocirúrgico recente — ou somada a ela no altíssimo risco
Não somar profilaxia a quem já está em anticoagulação plena — é dose dupla sem ganho
Individualizar sempre: o escore diz se há indicação, não se este paciente deve receber.
Escore de Pádua calcular o risco de TEV
Por quê & armadilhas

O escore de Pádua foi construído justamente para separar quem se beneficia de quem só recebe: no estudo original, os pacientes de alto risco sem profilaxia tiveram cerca de 11% de TEV, contra pouco mais de 2% nos de baixo risco. É essa diferença que justifica prescrever — e que explica por que prescrever para todo mundo dilui o benefício e soma sangramento.

Duas armadilhas de plantão. A primeira é a dose fixa em quem não a comporta: no ClCr abaixo de 30 a enoxaparina acumula, e a dose profilática vira quase terapêutica. A segunda é a soma silenciosa — o paciente que já recebe heparina plena por outro motivo e ganha mais 40 mg de enoxaparina porque "está internado".

Barbar S, Noventa F, Rossetto V, et al. A risk assessment model for the identification of hospitalized medical patients at risk for venous thromboembolism: the Padua Prediction Score. J Thromb Haemost. 2010;8(11):2450–2457.

O que não prescrever

Erros que pioram o desfecho na taquicardia ventricular.

Verapamil/diltiazem no QRS largo apostando em aberrância. Qualquer bloqueador de nó (incluindo amiodarona EV) na FA pré-excitada. Amiodarona na torsades. Sincronizar a polimórfica (o aparelho não dispara — desfibrile). Chocar em série sem corrigir K⁺/Mg²⁺ nem suspender os prolongadores de QT. Lidocaína profilática pós-IAM sem arritmia. E alta da TV sustentada sem investigação e sem encaminhamento — amiodarona no receituário não é plano de prevenção de morte súbita.

Prescreveu — e agora?

Instabilizou em qualquer ponto, o gesto está na taquiarritmia instável. Se a causa é coronariana, a prescrição continua na SCA com supra ou sem supra. Se o QRS largo era pré-excitação, o pós-choque é encaminhar a ablação. E com esta página, o bloco de arritmias fecha: TSV estável, FA/flutter, bradiarritmias e a instável estão a um clique.

Levar o caso ao assistente de conduta
Zeppenfeld K, et al. 2022 ESC Guidelines for the management of patients with ventricular arrhythmias and the prevention of sudden cardiac death. Eur Heart J. 2022;43(40):3997–4126 (doi:10.1093/eurheartj/ehac262). Al-Khatib SM, et al. 2017 AHA/ACC/HRS Guideline for Management of Patients With Ventricular Arrhythmias and the Prevention of Sudden Cardiac Death. Circulation. 2018;138(13):e272–e391. Ortiz M, et al. Randomized comparison of intravenous procainamide vs. intravenous amiodarone for the acute treatment of tolerated wide QRS tachycardia (PROCAMIO). Eur Heart J. 2017;38(17):1329–1335 (doi:10.1093/eurheartj/ehw230). Panchal AR, et al. 2020 AHA Guidelines for CPR and ECC — Adult Basic and Advanced Life Support. Circulation. 2020;142(16 suppl 2):S366–S468.