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SCA com supra de ST

Aqui a prescrição começa por uma decisão, não por um item: reperfundir por ICP primária ou fibrinólise. Todo o resto — antitrombótico, dose, momento — deriva desse caminho.

Serve para o paciente com IAM com supradesnível de ST (ou BRE/BRD novo com clínica de infarto) dentro da janela de reperfusão — sintomas ≤ 12 h, ou até 24 h se dor e isquemia em curso. Não serve para a SCA sem supra (página própria) nem para o choque cardiogênico instalado, que muda a estratégia e a prescrição.

Antes de prescrever qualquer item desta página.

As doses seguem as diretrizes de referência (SBC, ESC 2023, AHA/ACC 2025) e não substituem o protocolo do seu serviço, a padronização da farmácia nem o julgamento à beira do leito. No supra, o protocolo institucional importa dobrado: os fluxos de reperfusão (quem chama a hemodinâmica, onde se dilui o trombolítico) são locais por natureza.

Como usar.

A ordem é a do raciocínio: primeiro a reperfusão (a decisão que define tudo), depois os antitrombóticos que acompanham cada caminho, o alívio da isquemia, a prevenção secundária e o suporte. A dose está sempre visível; o porquê abre em "por quê & armadilhas".

Item por item

Escolher o caminho: ICP primária ou fibrinólise
a primeira "prescrição" do supra é um telefonema — e um relógio
ICP primária — preferida sempre que o balão for alcançável em ≤ 120 min do diagnóstico (ECG)
Fibrinólise — se a ICP não for alcançável em 120 min e sintomas ≤ 12 h: agulha em ≤ 10 min do diagnóstico → transferir todos para centro com hemodinâmica (cateterismo em 2–24 h, ou resgate imediato se não reperfundir)
Por quê & armadilhas

No supra, músculo é tempo: cada meia hora de atraso custa miocárdio e mortalidade. A pergunta operacional não é "qual método é melhor" (ICP primária é, quando disponível a tempo) — é "onde este paciente estará em 120 minutos?". Hospital sem hemodinâmica: a decisão certa costuma ser trombolisar em 10 minutos e transferir, não esperar uma ambulância otimista. Critérios de reperfusão após a lise (60–90 min): queda > 50% do supra, alívio da dor, arritmia de reperfusão. Sem isso → ICP de resgate, agora.

ESC 2023 · AHA/ACC 2025 · SBC — V Diretriz de IAMCSST.
Fibrinolítico — se esse for o caminho
sintomas ≤ 12 h e ICP inalcançável em 120 min; checar contraindicações antes
Tenecteplase (TNK) EV em bolus único, por peso: < 60 kg → 30 mg · 60–69,9 → 35 mg · 70–79,9 → 40 mg · 80–89,9 → 45 mg · ≥ 90 kg → 50 mg
≥ 75 anos: usar metade da dose
Alteplase (tPA) acelerada — 15 mg EV bolus → 0,75 mg/kg em 30 min (máx. 50 mg) → 0,5 mg/kg em 60 min (máx. 35 mg)
Estreptoquinase — 1.500.000 UI EV em 30–60 min (última escolha; não repetir se uso prévio ou reação alérgica anterior)
!
Contraindicações absolutas: AVC hemorrágico prévio (qualquer época), AVC isquêmico < 3 meses, neoplasia ou malformação vascular intracraniana, TCE/cirurgia craniana recente, sangramento ativo ou diátese hemorrágica, suspeita de dissecção de aorta. Relativas (pesar risco): PA > 180×110 refratária, anticoagulação plena, gestação, RCP prolongada traumática, punção não compressível.
Por quê & armadilhas

TNK é a escolha prática: bolus único por peso, ideal para emergência e pré-hospitalar. A meia-dose acima de 75 anos vem do STREAM — a dose plena nessa faixa sangrou cabeça demais, e a metade manteve a eficácia. A checagem de contraindicações não é burocracia: é o que separa reperfusão de hemorragia intracraniana. E fibrinólise não encerra o caso — ela compra tempo até o cateterismo (2–24 h), que continua obrigatório.

ESC 2023 · SBC — V Diretriz de IAMCSST · STREAM (meia-dose de TNK ≥ 75 a).
Antiagregação 1 — AAS
todos, na porta, salvo contraindicação
AAS ataque 150–300 mg VO mastigados (na prática: 3 cp de 100 mg) → manutenção 100 mg/dia, indefinidamente
!
Contraindicação: sangramento ativo ou hipersensibilidade verdadeira ao AAS.
Por quê & armadilhas

Vale o mesmo da SCA sem supra, com um agravante de urgência: no ISIS-2, AAS sozinho reduziu mortalidade do infarto na mesma ordem de grandeza da estreptoquinase — e os dois juntos somaram. É o item mais barato e mais imediato da reperfusão. Não espera exame, não espera vaga: mastiga na porta.

SBC · ESC 2023 · AHA/ACC 2025.
Antiagregação 2 — P2Y12 conforme o caminho
a estratégia de reperfusão escolhe a droga e a dose
Se ICP primária: ticagrelor 180 mg → 90 mg 12/12 h · ou prasugrel 60 mg → 10 mg/dia (evitar se AVC/AIT prévio; ≥ 75 a ou < 60 kg → cautela/5 mg) · clopidogrel 600 mg → 75 mg/dia se os anteriores indisponíveis ou ACO concomitante
Se fibrinólise: clopidogrel 300 mg VO na admissão (≥ 75 anos: sem ataque, só 75 mg) → 75 mg/dia — é o único P2Y12 validado junto com trombolítico
!
Não dar ticagrelor ou prasugrel junto com fibrinólise — o risco de sangramento não foi testado e o clopidogrel tem a evidência (CLARITY/COMMIT). A troca por um mais potente pode ser considerada depois, com o paciente estável, em geral após 48 h.
Por quê & armadilhas

No supra a lógica inverte em relação ao sem-supra: aqui a anatomia já está decidida pelo ECG e a ICP é certa — por isso o P2Y12 potente entra , sem esperar o cateterismo. A exceção de idade na fibrinólise não é detalhe: o ataque de 300 mg em ≥ 75 anos junto com trombolítico sangra, e o COMMIT validou justamente a dose sem ataque nessa combinação.

ESC 2023 · SBC · CLARITY-TIMI 28 e COMMIT (clopidogrel + fibrinólise).
Anticoagulação — também conforme o caminho
acompanha a reperfusão desde o diagnóstico; não é "depois da sala"
Se fibrinóliseenoxaparina (ExTRACT): < 75 a → 30 mg EV bolus, 15 min depois 1 mg/kg SC 12/12 h (máx. 100 mg nas 2 primeiras doses) · ≥ 75 a → sem bolus, 0,75 mg/kg 12/12 h (máx. 75 mg nas 2 primeiras) · ClCr 15–29 → 1 mg/kg 24/24 h · manter até revascularizar, 8 dias ou alta
alternativas na fibrinólise: HNF 60 U/kg EV (máx. 4.000 U) → 12 U/kg/h, TTPa 1,5–2× · fondaparinux (com estreptoquinase) 2,5 mg EV → 2,5 mg SC 1×/dia (não usar se ClCr < 30)
Se ICP primáriaHNF 70–100 U/kg EV (sem inibidor de GP IIb/IIIa), na sala ou já na chegada conforme o fluxo local; enoxaparina EV é alternativa · fondaparinux não (trombose de cateter)
Por quê & armadilhas

A anticoagulação do supra é parte da reperfusão, não coadjuvante: o trombolítico abre o vaso, a heparina impede que ele feche de novo. Os tetos das duas primeiras doses de enoxaparina (100/75 mg) existem porque foi assim que o ExTRACT evitou sangrar o idoso — omiti-los é reescrever o estudo. Na ICP primária, o que não pode acontecer é o paciente viajar para a hemodinâmica sem nada por indefinição de quem prescreve: combine com o fluxo do teu serviço quem dá a heparina e quando — o que a diretriz pede é que ela acompanhe a estratégia desde o diagnóstico.

ESC 2023 · SBC · ExTRACT-TIMI 25 (enoxaparina na fibrinólise) · OASIS-6 (fondaparinux).
Nitrato — com uma contraindicação a mais
dor isquêmica, hipertensão ou congestão — nunca no infarto de VD
Dinitrato de isossorbida 5 mg SL, repetir a cada 5 min até 3 doses (15 mg)
Nitroglicerina EV — 5–10 mcg/min, titulando a cada 3–5 min pela dor e PA (máx. usual 200 mcg/min)
ex. de preparo: 50 mg em SG 5% qsp 250 mL = 200 mcg/mL → 10 mcg/min = 3 mL/h
!
Não usar nitrato se: supra em parede inferior com suspeita de VD (fazer V3R/V4R antes!), PAS < 90 mmHg, ou inibidor de PDE-5 recente (sildenafila/vardenafila < 24 h, tadalafila < 48 h). No VD, opioide também pede parcimônia: o ventrículo depende da pré-carga.
Por quê & armadilhas

O supra inferior esconde a armadilha clássica desta página: um terço tem acometimento de VD, e o VD isquêmico vive de pré-carga. Nitrato (e volume a menos) nesse paciente derruba a pressão de forma dramática. Por isso a sequência é: supra em DII/DIII/aVF → V3R/V4R antes do nitrato, não depois da hipotensão. Fora isso, vale o mesmo do sem-supra: nitrato é sintomático, não muda mortalidade e não atrasa reperfusão.

ESC 2023 · SBC — V Diretriz de IAMCSST.
Morfina — só a dor refratária
se dor persistir apesar do nitrato (quando o nitrato é permitido)
Morfina 2–4 mg EV, podendo repetir conforme dor, PA e sensório
Por quê & armadilhas

Mesma lógica do sem-supra — retarda a absorção do P2Y12 e derruba pressão — com o detalhe do VD: no infarto de ventrículo direito, a venodilatação do opioide rouba a pré-carga de que ele depende. E dor que não cede no supra raramente é problema de analgesia: é vaso fechado. A resposta é reperfundir mais rápido, não sedar mais fundo.

ESC 2023 — uso criterioso de opioides.
Oxigênio — só se precisar
se SpO₂ < 90% ou desconforto respiratório
O₂ suplementar (cateter nasal ou máscara), titulado para SpO₂ ≥ 90% — suspender quando não for mais necessário
Por quê & armadilhas

O DETO2X-AMI foi feito majoritariamente em infarto — oxigênio em quem satura bem não reduziu mortalidade nem tamanho de infarto. Hiperóxia vasoconstringe coronária. Prescreva o alvo (SpO₂ ≥ 90%), não a litragem de rotina.

ESC 2023 · AHA/ACC 2025 · DETO2X-AMI.
Betabloqueador VO nas primeiras 24 h
se não houver sinais de IC nem risco de choque cardiogênico
Metoprolol (tartarato) 25–50 mg VO 12/12 h, titulando por FC e PA · alternativas: bisoprolol 2,5–10 mg/dia · carvedilol 3,125–25 mg 12/12 h · atenolol 25–100 mg/dia · propranolol 10–80 mg 8/8–12/12 h
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Não iniciar se sinais de IC ou baixo débito, risco de choque cardiogênico (idade > 70, PAS < 120, FC > 110 ou < 60), PR > 0,24 s, BAV 2º/3º grau, broncoespasmo ativo — e cautela redobrada no infarto de VD e na disfunção ventricular aguda.
Por quê & armadilhas

O COMMIT foi feito no supra: metoprolol EV precoce e agressivo evitou reinfartos ao custo de mais choque cardiogênico — saldo neutro na mortalidade e uma lição permanente. Betabloqueador no infarto é maratona, não sprint: VO, dose baixa, nas primeiras 24 h, em paciente compensado, e titulação ao longo de dias. O EV ficou restrito à exceção taquicárdica-hipertensiva sem nenhum sinal de disfunção.

SBC · ESC 2023 · AHA/ACC 2025 · COMMIT/CCS-2.
IECA (ou BRA se intolerância)
nas primeiras 24 h — prioridade se parede anterior, FEVE ≤ 40%, DM, HAS ou DRC
Captopril 6,25–50 mg VO 8/8 h (início baixo, titular) · enalapril 2,5–20 mg 12/12 h · lisinopril 2,5–10 mg 1×/dia
se intolerância: losartana 25–100 mg/dia · valsartana 80–320 mg/dia
Por quê & armadilhas

No supra o IECA tem um alvo a mais que no sem-supra: o remodelamento do ventrículo infartado — e por isso o infarto anterior extenso é prioridade clara. Começa baixo nas primeiras 24 h com o paciente estável (sem hipotensão), titula na internação, troca para dose única na alta. Potássio e creatinina na primeira semana.

SBC · AHA/ACC 2025.
Estatina de alta intensidade — já
todos, independentemente do LDL de chegada
Atorvastatina 40–80 mg VO 1×/dia ou rosuvastatina 20–40 mg VO 1×/dia · pode-se associar ezetimiba 10 mg/dia desde o início
Por quê & armadilhas

Mesma regra do sem-supra: alta intensidade, precoce, para todos — o LDL da chegada é linha de base, não critério. A meta pós-infarto é agressiva (LDL < 50–55 mg/dL) e a ezetimiba pode entrar de saída. A armadilha é a alta hospitalar reciclando a estatina fraca que o paciente "já tomava".

AHA/ACC 2025 · ESC 2023.
Espironolactona — em casos selecionados
se FEVE ≤ 40% com sintomas de IC ou diabetes, já em uso de IECA + betabloqueador
Espironolactona 25 mg VO 1×/dia
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Não iniciar se K⁺ > 5,0 mEq/L ou disfunção renal significativa — rechecar potássio e creatinina na primeira semana.
Por quê & armadilhas

O EPHESUS foi feito exatamente neste paciente: pós-IAM com FEVE ≤ 40% e IC ou diabetes, em cima da terapia otimizada — e reduziu mortalidade. O critério é ≤ 40%, e o preço é a hipercalemia: prescrever sem recontrolar potássio é trocar um risco por outro.

SBC · AHA/ACC 2025 — critérios do EPHESUS.
Dieta e via
jejum enquanto a reperfusão está em curso; realimentar com o paciente definido
Jejum — na chegada e enquanto houver cateterismo iminente ou instabilidade
Dieta VO (geral, para diabéticos ou hipossódica) — após reperfusão, com o paciente estável · enteral se rebaixamento/IOT, com progressão conforme avaliação nutricional
Por quê & armadilhas

No supra a dieta é ainda mais simples que no sem-supra: quase todo paciente vai à sala nas próximas horas — jejum é o padrão de chegada. O erro é o oposto: esquecer o jejum prescrito e deixar o paciente reperfundido 24 h sem comer. Vazão fixa de dieta ou glicose "de rotina" segue sem respaldo; aporte é decisão da nutrição, individualizada.

ESPEN 2023 — individualização do aporte.
Glicemia — controle sem hipoglicemia
HGT se diabetes, jejum, dieta enteral ou paciente crítico
HGT (glicemia capilar) 6/6 h · alvo hospitalar 140–180 mg/dL · correção com insulina regular conforme o protocolo do serviço
se HGT < 70 mg/dL: glicose 50% EV (ex.: 40 mL = 20 g) → repetir HGT em 15 min
Por quê & armadilhas

Hiperglicemia no infarto marca gravidade, mas a correção agressiva mata por hipoglicemia — o alvo 140–180 é o equilíbrio com evidência. Escala fixa universal de insulina não: protocolo do serviço, ajustado ao padrão do paciente. E na hipoglicemia, a dose depende da apresentação da tua farmácia — o inegociável é rechecar em 15 min.

ADA 2026 — Standards of Care, cap. 16.
Antiemético se necessário
náusea ou vômitos — comuns no infarto inferior
Ondansetrona 4–8 mg EV até 8/8 h SN ou metoclopramida 10 mg EV 8/8 h SN · metoclopramida não é automática: distonia, acatisia, parkinsonismo, sonolência e discinesia tardia — reduzir dose repetida no idoso e na disfunção renal/hepática
Por quê & armadilhas

Náusea e vômito no supra inferior são reflexo vagal (Bezold-Jarisch), não "gastrite" — tratam-se, mas também avisam sobre a parede acometida. Ondansetrona prolonga QT (atenção com outros prolongadores e distúrbio eletrolítico); metoclopramida pede cautela no idoso.

Monitorização — com desfibrilador ao alcance
o risco de FV é máximo nas primeiras horas
Monitorização cardíaca contínua por 24–48 h (mais se instável) + oximetria · PA e FC de horário · ECG na chegada, 60–90 min pós-lise e a cada nova dor · desfibrilador testado e próximo · troponina seriada conforme protocolo
Por quê & armadilhas

A fibrilação ventricular primária concentra-se nas primeiras horas do supra — é a morte evitável clássica, e ela só é evitável se o monitor estiver ligado e o desfibrilador ao lado. O ECG de 60–90 min pós-fibrinólise não é rotina burocrática: é ele que decide entre "reperfundiu" e "ICP de resgate agora". Arritmia de reperfusão (RIVA) logo após a lise é sinal de sucesso, não de catástrofe — reconhecê-la evita antiarrítmico desnecessário.

SBC · ESC 2023.
Dieta
a primeira linha da prescrição que todo mundo escreve no automático
Dieta conforme o quadro — via oral se desperta, deglute e não há procedimento previsto · zero se rebaixado, instável ou com via aérea em risco, reavaliando cedo · sonda enteral se o jejum passar de 48–72 h
Jejum tem data e hora — escrever o motivo e quando reavaliar. "Jejum" sem prazo vira desnutrição de terceira semana
Disfagia: triagem antes da primeira colher em qualquer rebaixamento, AVC ou pós-extubação — falhou, sonda; a medicação também passa por ela
Por quê & armadilhas

O jejum prolongado é a prescrição mais barata de escrever e uma das mais caras de sustentar: cada dia sem aporte custa massa muscular num paciente que vai precisar dela para desmamar, sentar e andar. A pergunta de visita não é "está em jejum?", é "por que ainda está, e até quando?".

Cuidados de enfermagem — a rotina que evita a segunda doença
decúbito, pele, cabeceira e oxigênio: o que não aparece na evolução até virar problema
Sinais vitais e rotina de UTI 2/2 h (espaçar conforme estabilidade) · balanço hídrico e diurese registrados
Cabeceira 30–45° — reduz aspiração e pneumonia associada à ventilação · abaixar só com motivo escrito (choque, procedimento)
Mudança de decúbito 2/2 h + avaliação diária da pele nas proeminências (sacro, calcâneo, occipital, trocânter) · colchão de redistribuição de pressão no imóvel
Curativos inspecionados por turno; datar a troca · higiene oral com antisséptico no intubado · olhos lubrificados no sedado
Fisioterapia — fisioterapia motora e respiratória desde o primeiro dia, conforme tolerância
Oxigênio conforme necessidade: SpO₂ ≥ 90% — sem oxigênio no normoxêmico (DETO2X-AMI). Oxigênio é droga: tem alvo, tem dose e tem excesso
Por quê & armadilhas

Estes itens não competem com a doença principal — eles decidem se o paciente sai da UTI com a doença resolvida e o corpo inteiro, ou resolvido e com uma lesão por pressão em sacro que vai custar meses. Lesão por pressão, pneumonia por aspiração e fraqueza adquirida na UTI são as três complicações que a prescrição previne com linhas que ninguém lê.

A cabeceira elevada é o exemplo perfeito: é gratuita, tem efeito documentado sobre pneumonia associada à ventilação, e é a primeira coisa que se perde quando o leito é abaixado para um procedimento e ninguém sobe de volta.

Profilaxia de úlcera de estresse — só com indicação
não é carimbo de internação: sem fator de risco, o dano supera o benefício
Com indicação: inibidor de bomba de prótons — omeprazol ou pantoprazol 40 mg EV ou VO 1×/dia, conforme padronização do serviço
Reavaliar a indicação todo dia — ela costuma sumir antes da alta da UTI, e a prescrição costuma continuar.
O preço de prescrever sem indicação: mais pneumonia associada à ventilação, mais C. difficile, e a prescrição crônica que sai junto na receita de alta
Há indicação de profilaxia? fator maior ou 2 menores
Por quê & armadilhas

Os dois fatores de risco independentes clássicos vêm do estudo de Cook: ventilação mecânica prolongada e coagulopatia. Fora deles, o sangramento clinicamente importante é raro o suficiente para que o dano da supressão ácida — pneumonia e colite por C. difficile — comece a pesar mais.

A armadilha real não é começar, é não parar. A indicação some quando o paciente extuba e a coagulação normaliza; a prescrição, não. É assim que um inibidor de bomba iniciado numa UTI vira uso crônico de anos, com a hipomagnesemia que ele causa aparecendo lá na frente, sem que ninguém ligue os dois.

Cook DJ, Fuller HD, Guyatt GH, et al. Risk factors for gastrointestinal bleeding in critically ill patients. N Engl J Med. 1994;330(6):377–381 — os dois fatores independentes. Os fatores menores vêm de consensos posteriores; não há escore validado único.
Profilaxia de TEV — pelo risco, não pelo tempo de internação
"internou, prescreve" é o erro nos dois sentidos: sobra em quem não precisa e falta em quem precisa
Farmacológica, com indicação e sem sangramento: enoxaparina 40 mg SC 1×/dia · ClCr < 30: enoxaparina 20 mg SC 1×/dia ou HNF 5.000 UI SC 8/8–12/12 h, conforme protocolo
Mecânica (compressão pneumática intermitente) quando a farmacológica está contraindicada — sangramento ativo, plaquetopenia grave, pós-operatório neurocirúrgico recente — ou somada a ela no altíssimo risco
Não somar profilaxia a quem já está em anticoagulação plena — é dose dupla sem ganho
Individualizar sempre: o escore diz se há indicação, não se este paciente deve receber.
Escore de Pádua calcular o risco de TEV
Por quê & armadilhas

O escore de Pádua foi construído justamente para separar quem se beneficia de quem só recebe: no estudo original, os pacientes de alto risco sem profilaxia tiveram cerca de 11% de TEV, contra pouco mais de 2% nos de baixo risco. É essa diferença que justifica prescrever — e que explica por que prescrever para todo mundo dilui o benefício e soma sangramento.

Duas armadilhas de plantão. A primeira é a dose fixa em quem não a comporta: no ClCr abaixo de 30 a enoxaparina acumula, e a dose profilática vira quase terapêutica. A segunda é a soma silenciosa — o paciente que já recebe heparina plena por outro motivo e ganha mais 40 mg de enoxaparina porque "está internado".

Barbar S, Noventa F, Rossetto V, et al. A risk assessment model for the identification of hospitalized medical patients at risk for venous thromboembolism: the Padua Prediction Score. J Thromb Haemost. 2010;8(11):2450–2457.

O que não prescrever

Itens que pioram o desfecho na SCACSST.

Nitrato ou morfina no infarto de VD (V3R/V4R antes, sempre). Ticagrelor/prasugrel junto com fibrinólise. Ataque de clopidogrel em ≥ 75 anos trombolisado. Betabloqueador EV de rotina na chegada. AINEs (exceto AAS): suspender na admissão. O₂ de rotina em quem satura bem. E o pior de todos: esperar — exame a mais, vaga, segunda opinião — com o vaso fechado e a janela correndo.

Prescreveu — e agora?

O desfecho do supra se decide em minutos de porta, não em itens de folha: reperfusão no tempo certo, ECG de controle, vigilância de arritmia. Se o paciente hipotensar, a pergunta muda — VD? mecânica? choque cardiogênico? — e o raciocínio está nos padrões hemodinâmicos e nas drogas vasoativas. A prescrição da SCA sem supra cobre o primo desta página.

Levar o caso ao assistente de conduta
Avezum Junior Á, Feldman A, Carvalho AC, et al. V Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnível do Segmento ST. Arq Bras Cardiol. 2015;105(2 Supl 1):1–105 (doi:10.5935/abc.20150107). Byrne RA, Rossello X, Coughlan JJ, et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J. 2023;44(38):3720–3826 (doi:10.1093/eurheartj/ehad191). Rao SV, O'Donoghue ML, Ruel M, et al. 2025 ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI Guideline for the Management of Patients With Acute Coronary Syndromes. J Am Coll Cardiol. 2025;85(22):2135–2237 (doi:10.1016/j.jacc.2024.11.009). Armstrong PW, et al. Fibrinolysis or primary PCI in ST-segment elevation myocardial infarction (STREAM). N Engl J Med. 2013;368:1379–87. Antman EM, et al. Enoxaparin versus unfractionated heparin with fibrinolysis for ST-elevation myocardial infarction (ExTRACT-TIMI 25). N Engl J Med. 2006;354:1477–88. American Diabetes Association. Diabetes Care in the Hospital — Standards of Care in Diabetes. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1). Sabatine MS, Cannon CP, Gibson CM, et al. Addition of clopidogrel to aspirin and fibrinolytic therapy for myocardial infarction with ST-segment elevation (CLARITY-TIMI 28). N Engl J Med. 2005;352(12):1179–1189 (doi:10.1056/NEJMoa050522). Chen ZM, Jiang LX, Chen YP, et al.; COMMIT collaborative group. Addition of clopidogrel to aspirin in 45.852 patients with acute myocardial infarction. Lancet. 2005;366(9497):1607–1621 (doi:10.1016/S0140-6736(05)67660-X). Antman EM, Morrow DA, McCabe CH, et al. Enoxaparin versus unfractionated heparin with fibrinolysis for ST-elevation myocardial infarction (ExTRACT-TIMI 25). N Engl J Med. 2006;354(14):1477–1488 (doi:10.1056/NEJMoa060898). Yusuf S, Mehta SR, Chrolavicius S, et al. Effects of fondaparinux on mortality and reinfarction in patients with acute ST-segment elevation myocardial infarction: the OASIS-6 randomized trial. JAMA. 2006;295(13):1519–1530 (doi:10.1001/jama.295.13.joc60038). Hofmann R, James SK, Jernberg T, et al. Oxygen Therapy in Suspected Acute Myocardial Infarction (DETO2X-AMI). N Engl J Med. 2017;377(13):1240–1249 (doi:10.1056/NEJMoa1706222). Armstrong PW, Gershlick AH, Goldstein P, et al. Fibrinolysis or primary PCI in ST-segment elevation myocardial infarction (STREAM). N Engl J Med. 2013;368(15):1379–1387 (doi:10.1056/NEJMoa1301092).