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PA muito elevada

180×120 não é diagnóstico — é um número à espera de uma pergunta: há órgão sofrendo agora? Com lesão aguda, é emergência e se trata na veia, por órgão. Sem lesão, a prescrição mais difícil é não derrubar.

Serve para a pressão muito elevada na emergência e no internado — do paciente assintomático com 190×115 na triagem à emergência hipertensiva de verdade. A terminologia acompanhou a evidência: a diretriz AHA/ACC de 2025 aposentou o termo "urgência hipertensiva" e passou a chamar o quadro de hipertensão grave (PA muito elevada sem lesão aguda de órgão-alvo) — o nome novo existe para tirar a pressa de onde ela só causa dano. A mesma diretriz define emergência hipertensiva como PA > 180×120 com evidência de lesão aguda de órgão-alvo.

Antes de prescrever qualquer item desta página.

Condutas seguem a AHA/ACC 2025 (hipertensão), o AHA Scientific Statement 2024 (PA elevada no cuidado agudo), a Diretriz Brasileira de Hipertensão 2025 e a ESC 2024, e não substituem o protocolo do seu serviço. As drogas EV disponíveis variam muito entre hospitais brasileiros — nitroprussiato e nitroglicerina são a realidade da maioria; o que a sua farmácia tem decide parte desta página.

Como usar.

A ordem é a do raciocínio: a pergunta do órgão-alvo (que divide tudo), a pseudocrise (o diagnóstico mais comum), o assintomático que se ajusta por via oral, a emergência com alvo por órgão — e o internado, onde o "PRN de pressão" morre. Dose sempre visível; o porquê em "por quê & armadilhas".

Item por item

Há lesão de órgão-alvo aguda? — a busca dirigida
cinco perguntas e um exame físico valem mais que uma bateria de exames
Procurar ativamente: cérebro (déficit, confusão, cefaleia intensa + vômitos, convulsão) · coração (dor torácica, dispneia/congestão) · aorta (dor lancinante irradiando ao dorso, assimetria de pulsos) · olho (borramento — fundoscopia se disponível) · rim/microangiopatia (oligúria, hematúria; creatinina/EAS se sintomas ou contexto)
Achou lesão aguda → emergência hipertensiva (itens 04–05) · não achou → PA muito elevada assintomática (itens 02–03): sem EV, sem pânico, sem derrubar
Por quê & armadilhas

A gravidade nunca esteve no número — está no órgão. 220×120 assintomático em hipertenso crônico mal aderente é rotina de pronto-socorro; 175×105 com encefalopatia é emergência com relógio. A busca é dirigida porque a bateria de exames "para todo 180×120" gera achados crônicos que viram tratamento agudo indevido; o AHA 2024 é explícito: no assintomático, investigação guiada por clínica, não por reflexo.

AHA 2024 (PA elevada no cuidado agudo) · SBC 2020.
Tratar a pseudocrise — a causa do número, não o número
dor, ansiedade, bexiga cheia, abstinência: a "crise" mais comum do plantão
Repouso em ambiente calmo + remedir em 30–60 min (manguito certo, braço apoiado) — boa parte "trata" sozinha
Causa na frente: dor → dipirona 1 g / analgesia adequada · retenção urinária → sondagem de alívio · esqueceu o remédio → retomar o esquema dele · ansiedade, abstinência e agitação → abaixo, porque é onde mais se erra a droga
Abstinência alcoólica — o benzodiazepínico é o tratamento
Dose guiada por sintoma (escala tipo CIWA-Ar), não horário fixo: reavaliar e repetir conforme a escala consome cerca de metade do benzodiazepínico total e encurta o tratamento, com a mesma segurança
Diazepam 10 mg VO ou EV lento, repetindo a cada 1–2 h conforme escala (meia-vida longa faz autodesmame) — a opção padrão em fígado preservado
Lorazepam 1–2 mg VO/EV 6/6–8/8 h SN — a escolha no hepatopata, no idoso e em quem tem risco de acúmulo: ele é conjugado direto por glicuronidação, sem metabólito ativo e sem depender das reações de fase I do citocromo P450, que são justamente as que a cirrose derruba. Diazepam e clordiazepóxido acumulam metabólitos ativos e podem precipitar encefalopatia
Tiamina 300 mg EV antes de qualquer glicose · corrigir Mg²⁺ e K⁺ · a pressão alta aqui é sintoma adrenérgico: cede com o benzodiazepínico, não com captopril
Agitação psicomotora sem abstinência
Aceita via oral: risperidona 2 mg VO — entre os antipsicóticos orais é o de melhor evidência de eficácia e segurança na agitação aguda · alternativa: olanzapina 10 mg VO
Recusa a via oral / agitação grave: haloperidol 2,5–5 mg IM (± prometazina) ou olanzapina 10 mg IM — não associar olanzapina IM a benzodiazepínico EV (depressão respiratória e hipotensão)
Antes de qualquer antipsicótico: HGT, ECG se possível (QT), K⁺ e Mg²⁺ · idoso — risperidona hipotensa mais nessa faixa; comece por 0,5–1 mg · delirium hipoativo não se trata com antipsicótico
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Antipsicótico não substitui benzodiazepínico na abstinência alcoólica. Ele não age no receptor GABA que está órfão, abaixa o limiar convulsivo e mascara a progressão para delirium tremens. Na abstinência ele é, no máximo, adjuvante da alucinação — com o benzodiazepínico correndo por baixo.
Por quê & armadilhas

A pseudocrise é o cenário em que o anti-hipertensivo "funciona" por coincidência: a pressão ia cair de qualquer jeito quando a dor passasse, a bexiga esvaziasse ou o pânico cedesse — e o captopril leva o crédito, ensinando o serviço a repetir o erro. Tratar a causa não é etapa educada antes do remédio: é o remédio. O corolário: pressão que só cede com a causa tratada confirma que nunca foi doença da pressão.

Na abstinência isso fica literal. A hipertensão, a taquicardia, o tremor e a sudorese são uma síndrome adrenérgica só, e o benzodiazepínico trata todos de uma vez porque repõe o tônus GABAérgico que o álcool sustentava. Anti-hipertensivo isolado aqui é pior que inútil: derruba o número, deixa a síndrome correndo por baixo e tira o sinal que avisaria a progressão para delirium tremens. A escolha entre diazepam e lorazepam não é preferência de serviço — é farmacocinética: em fígado ruim, o diazepam vira sedação prolongada e encefalopatia, enquanto o lorazepam segue previsível por não precisar da fase I hepática.

Já a escolha entre benzodiazepínico e antipsicótico depende inteiramente da causa da agitação. Agitação por abstinência é falta de GABA e pede benzodiazepínico; agitação psicótica, por delirium hiperativo ou por intoxicação por estimulante costuma responder ao antipsicótico — e nela a risperidona oral tem a melhor evidência entre os orais, com a vantagem prática de o paciente que aceita comprimido não precisar de contenção. Trocar os dois de lugar é o erro clássico: antipsicótico no abstinente convulsiona, benzodiazepínico no idoso delirante piora o delirium.

Abstinência: The ASAM Clinical Practice Guideline on Alcohol Withdrawal Management. J Addict Med. 2020;14(3S Suppl 1):1–72 — dose guiada por sintoma e ajuste/escolha de agente na disfunção hepática · Agitação: Wilson MP, Pepper D, Currier GW, Holloman GH Jr, Feifel D. The psychopharmacology of agitation — consenso do Project BETA, American Association for Emergency Psychiatry. West J Emerg Med. 2012;13(1):26–34 — risperidona oral como a de melhor evidência entre os antipsicóticos orais · AHA 2024 · SBC 2020 — pseudocrise hipertensiva.
PA muito elevada assintomática — ajustar o longo prazo, por via oral
o objetivo é a semana do paciente, não a próxima hora do plantão
1º movimento: retomar/ajustar o esquema crônico do próprio paciente (a "crise" costuma ser adesão) · reduzir gradualmente ao longo de 24–48 h ou mais — nunca normalizar na sala
Precisando iniciar/adicionar VO: anlodipino 5–10 mg/dia (início suave, longa ação) · captopril 25 mg VO se optar por efeito mais rápido — dose única e reavaliar, não "de 8/8 h de horário" · clonidina 0,1–0,2 mg VO como alternativa de exceção (sedação, rebote — não é "droga do ansioso")
Alta segura: esquema ajustado por escrito + reavaliação ambulatorial em poucos dias — é essa consulta, não o número da saída, que muda o desfecho
Por quê & armadilhas

O cérebro do hipertenso crônico autorregula em torno de pressões altas — derrubar 30% em uma hora num assintomático é produzir a isquemia que se queria evitar. Por isso as proibições clássicas continuam de pé (nifedipina sublingual: AVC e IAM iatrogênicos documentados; furosemida EV em quem não está congesto: só depleta) e por isso o captopril "de horário no PS" perdeu lugar: o assintomático não precisa de queda aguda nenhuma — precisa de um esquema que funcione na terça-feira que vem. A meta da consulta é dias; a do plantão é só não fazer mal.

AHA 2024 · SBC 2020 · ESC 2024.
Emergência: EV titulável, monitorização — e um alvo numérico
a regra geral, antes das exceções por órgão
Alvo geral — quando a síndrome não tem alvo próprio: reduzir a PAM em até 20–25% na 1ª hora → ~160×100 nas próximas 2–6 h → normalização gradual em 24–48 h · sempre com droga EV titulável em bomba e monitorização (PA invasiva se difícil controle ou aferição não invasiva pouco confiável)
Nitroprussiato — início 0,3 mcg/kg/min em bomba, titulando a cada poucos minutos · máximo 8 mcg/kg/min pela bula brasileira do Nitroprus® (a americana admite 10 — não misturar os tetos), pelo menor tempo possível · preparo: reconstituir com o diluente de SG 5% da embalagem e diluir em SG 5% 250/500/1.000 mL → 200/100/50 mcg/mL · proteger frasco e equipo da luz · eGFR < 30 → média < 3 mcg/kg/min; anúria → 1 · vigiar cianeto/tiocianato
Não é a primeira escolha quando o órgão-alvo é o cérebro — pode elevar a PIC. Havendo nicardipina, clevidipina ou labetalol, elas vêm antes no AVC, na encefalopatia e na HSA
Nitroglicerina 5–10 mcg/min titulando (preparo na página da SCA) — preferida se coronária/congestão · esmolol e labetalol onde existirem, com as doses e contraindicações da dissecção
Metoprolol EV 5 mg repetível não é anti-hipertensivo EV titulável: serve quando o órgão pede frequência (dissecção, isquemia), com efeito em degraus e não graduável como bomba
Por quê & armadilhas

Na emergência o EV titulável não é luxo — é a diferença entre pilotar a pressão e empurrá-la escada abaixo: o comprimido dado "para ajudar" soma efeito imprevisível de 4–6 horas em cima da bomba que já corre. O teto de 20–25% na primeira hora protege a mesma autorregulação do item anterior — que continua valendo com o órgão sofrendo, exceto onde a exceção está escrita (item 05). E o nitroprussiato exige respeito logístico: fotoproteção, bomba confiável e vigilância — é a droga mais potente e menos perdoadora da prateleira.

AHA 2024 · SBC 2020 — princípios da emergência hipertensiva.
O órgão escolhe o alvo e a droga — as exceções que mandam
a mesma pressão, cinco condutas diferentes
Dissecção de aorta: a grande exceção da pressa — FC < 60 e PAS 100–120 em minutos, betabloqueio antes do vasodilatador (página própria, a próxima da fila)
EAP hipertensivo: nitroglicerina/nitroprussiato + VNI — conduta completa no EAP · SCA: nitroglicerina + o pacote da SCA (sem derrubar a diastólica que perfunde a coronária)
Encefalopatia hipertensiva: ↓PAM 20–25% na 1ª hora (preferir nicardipina/clevidipina/labetalol; nitroprussiato só na falta delas, pela PIC) — melhora do sensório confirma o diagnóstico · AVC: o oposto da pressa — alvos próprios e permissivos (isquêmico e hemorrágico) · Pré-eclâmpsia grave/eclâmpsia: chamar a obstetrícia é o item 1 · sulfato de magnésio — ataque 4–6 g EV em 15–20 min → manutenção 1–2 g/h; recorrência de crise → mais 2 g, vigiando reflexos, diurese e frequência respiratória · anti-hipertensivo: hidralazina EV, labetalol EV ou nifedipina VO de liberação rápida, repetidos conforme o protocolo obstétrico do serviço, com alvo próprio da gestação
Por quê & armadilhas

"Emergência hipertensiva" é gênero; a espécie é o órgão — e as espécies discordam: a dissecção quer a pressão no chão agora, o AVC isquêmico quer quase o contrário, e a coronária quer a diastólica preservada. Por isso o par alvo+droga nunca vem do número, vem do diagnóstico. A armadilha de sistema é tratar a "emergência hipertensiva" como doença única com protocolo único: o mesmo nitroprussiato que salva a encefalopatia rouba fluxo do cérebro isquêmico do AVC.

AHA 2024 · SBC 2020 — alvos por condição.
Enfermaria: sem "se PA > X, fazer Y" — ajustar o esquema, não o episódio
o número assintomático do internado se trata na prescrição do dia, não no horário da madrugada
Não prescrever anti-hipertensivo PRN/reativo ("se PAS > 180 → captopril/hidralazina/clonidina") para número assintomático · em vez disso: conferir dor/ansiedade/retenção/medicação suspensa → ajustar o esquema oral programado na visita seguinte
Assintomático de madrugada com PA alta: reavaliar o paciente (não só o monitor), documentar, e deixar o ajuste para quem prescreve o dia — número sem sintoma não é emergência noturna
Por quê & armadilhas

Esta é a mensagem central do AHA 2024, nascida de dados de internação: o tratamento EV/PRN reativo da PA assintomática no hospital associa-se a mais hipotensão, lesão renal, isquemia e tempo de internação — o dano é da resposta, não do número. O "se PA > 180, hidralazina EV" é o exemplo perfeito de prescrição que conforta quem escreve e machuca quem recebe: a enfermeira cumpre, a pressão despenca às 3h, e ninguém reavaliou o paciente. Pressão de internado se gerencia como glicemia: pelo esquema do dia, com protocolo do serviço — não por bolus noturno.

AHA 2024 — Management of Elevated Blood Pressure in the Acute Care Setting.
Dieta
a primeira linha da prescrição que todo mundo escreve no automático
Dieta conforme o quadro — via oral se desperta, deglute e não há procedimento previsto · zero se rebaixado, instável ou com via aérea em risco, reavaliando cedo · sonda enteral se o jejum passar de 48–72 h
Jejum tem data e hora — escrever o motivo e quando reavaliar. "Jejum" sem prazo vira desnutrição de terceira semana
Disfagia: triagem antes da primeira colher em qualquer rebaixamento, AVC ou pós-extubação — falhou, sonda; a medicação também passa por ela
Por quê & armadilhas

O jejum prolongado é a prescrição mais barata de escrever e uma das mais caras de sustentar: cada dia sem aporte custa massa muscular num paciente que vai precisar dela para desmamar, sentar e andar. A pergunta de visita não é "está em jejum?", é "por que ainda está, e até quando?".

Cuidados de enfermagem — a rotina que evita a segunda doença
decúbito, pele, cabeceira e oxigênio: o que não aparece na evolução até virar problema
Sinais vitais e rotina de UTI 2/2 h (espaçar conforme estabilidade) · balanço hídrico e diurese registrados
Cabeceira 30–45° — reduz aspiração e pneumonia associada à ventilação · abaixar só com motivo escrito (choque, procedimento)
Mudança de decúbito 2/2 h + avaliação diária da pele nas proeminências (sacro, calcâneo, occipital, trocânter) · colchão de redistribuição de pressão no imóvel
Curativos inspecionados por turno; datar a troca · higiene oral com antisséptico no intubado · olhos lubrificados no sedado
Fisioterapia — fisioterapia motora e respiratória desde o primeiro dia, conforme tolerância
Oxigênio conforme necessidade: SpO₂ 90–96% na maioria dos adultos · 88–92% se houver DPOC ou risco de hipercapnia. Oxigênio é droga: tem alvo, tem dose e tem excesso
Por quê & armadilhas

Estes itens não competem com a doença principal — eles decidem se o paciente sai da UTI com a doença resolvida e o corpo inteiro, ou resolvido e com uma lesão por pressão em sacro que vai custar meses. Lesão por pressão, pneumonia por aspiração e fraqueza adquirida na UTI são as três complicações que a prescrição previne com linhas que ninguém lê.

A cabeceira elevada é o exemplo perfeito: é gratuita, tem efeito documentado sobre pneumonia associada à ventilação, e é a primeira coisa que se perde quando o leito é abaixado para um procedimento e ninguém sobe de volta.

Profilaxia de úlcera de estresse — só com indicação
não é carimbo de internação: sem fator de risco, o dano supera o benefício
Com indicação: inibidor de bomba de prótons — omeprazol ou pantoprazol 40 mg EV ou VO 1×/dia, conforme padronização do serviço
Reavaliar a indicação todo dia — ela costuma sumir antes da alta da UTI, e a prescrição costuma continuar.
O preço de prescrever sem indicação: mais pneumonia associada à ventilação, mais C. difficile, e a prescrição crônica que sai junto na receita de alta
Há indicação de profilaxia? fator maior ou 2 menores
Por quê & armadilhas

Os dois fatores de risco independentes clássicos vêm do estudo de Cook: ventilação mecânica prolongada e coagulopatia. Fora deles, o sangramento clinicamente importante é raro o suficiente para que o dano da supressão ácida — pneumonia e colite por C. difficile — comece a pesar mais.

A armadilha real não é começar, é não parar. A indicação some quando o paciente extuba e a coagulação normaliza; a prescrição, não. É assim que um inibidor de bomba iniciado numa UTI vira uso crônico de anos, com a hipomagnesemia que ele causa aparecendo lá na frente, sem que ninguém ligue os dois.

Cook DJ, Fuller HD, Guyatt GH, et al. Risk factors for gastrointestinal bleeding in critically ill patients. N Engl J Med. 1994;330(6):377–381 — os dois fatores independentes. Os fatores menores vêm de consensos posteriores; não há escore validado único.
Profilaxia de TEV — pelo risco, não pelo tempo de internação
"internou, prescreve" é o erro nos dois sentidos: sobra em quem não precisa e falta em quem precisa
Farmacológica, com indicação e sem sangramento: enoxaparina 40 mg SC 1×/dia · ClCr < 30: enoxaparina 20 mg SC 1×/dia ou HNF 5.000 UI SC 8/8–12/12 h, conforme protocolo
Mecânica (compressão pneumática intermitente) quando a farmacológica está contraindicada — sangramento ativo, plaquetopenia grave, pós-operatório neurocirúrgico recente — ou somada a ela no altíssimo risco
Não somar profilaxia a quem já está em anticoagulação plena — é dose dupla sem ganho
Individualizar sempre: o escore diz se há indicação, não se este paciente deve receber.
Escore de Pádua calcular o risco de TEV
Por quê & armadilhas

O escore de Pádua foi construído justamente para separar quem se beneficia de quem só recebe: no estudo original, os pacientes de alto risco sem profilaxia tiveram cerca de 11% de TEV, contra pouco mais de 2% nos de baixo risco. É essa diferença que justifica prescrever — e que explica por que prescrever para todo mundo dilui o benefício e soma sangramento.

Duas armadilhas de plantão. A primeira é a dose fixa em quem não a comporta: no ClCr abaixo de 30 a enoxaparina acumula, e a dose profilática vira quase terapêutica. A segunda é a soma silenciosa — o paciente que já recebe heparina plena por outro motivo e ganha mais 40 mg de enoxaparina porque "está internado".

Barbar S, Noventa F, Rossetto V, et al. A risk assessment model for the identification of hospitalized medical patients at risk for venous thromboembolism: the Padua Prediction Score. J Thromb Haemost. 2010;8(11):2450–2457.

O que não prescrever

Erros que pioram o desfecho na PA muito elevada.

Nifedipina sublingual — nunca (AVC e IAM iatrogênicos). Furosemida EV em quem não está congesto. Derrubar > 25% na primeira hora fora da dissecção. Anti-hipertensivo PRN "se PA > X" no internado assintomático. Captopril de horário como resposta-padrão do PS. Clonidina como "droga do ansioso". EV para número sem órgão. Bateria de exames por reflexo no assintomático. E alta sem esquema ajustado nem retorno — o paciente volta com o mesmo número e menos confiança.

Prescreveu — e agora?

Se a lesão de órgão apareceu, a página muda com ela: EAP, SCA — e a dissecção de aorta, a exceção que quer pressa, é a próxima prescrição desta fila. O bloco neuro (AVC isquêmico, hemorrágico, HSA) vem na sequência com os alvos permissivos que invertem esta página.

Levar o caso ao assistente de conduta
Bress AP, Anderson TS, Flack JM, et al. The Management of Elevated Blood Pressure in the Acute Care Setting: A Scientific Statement From the American Heart Association. Hypertension. 2024;81(8):e94–e106 (doi:10.1161/HYP.0000000000000238). 2025 AHA/ACC Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation and Management of High Blood Pressure in Adults. Circulation. 2025;152(11):e114–e218 (doi:10.1161/CIR.0000000000001356) — substitui a de 2017; alvo geral < 130/80 e troca de "urgência hipertensiva" por "hipertensão grave". Três erratas publicadas (nov/2025, abr/2026, mai/2026) não foram conferidas — checar antes de citar número específico. Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial — 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624 (doi:10.36660/abc.20250624) — realização SBC, SBN e SBH. Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial — 2020. Arq Bras Cardiol. 2021;116(3):516–658 (doi:10.36660/abc.20201238) — versão anterior, ainda citada nas notas de seção. McEvoy JW, McCarthy CP, Bruno RM, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension. Eur Heart J. 2024;45(38):3912–4018 (doi:10.1093/eurheartj/ehae178).