Hemodinâmica · Eletrocardiograma

ECG no Choque

Padrões que mudam conduta: IAM de VD, TEP, tamponamento, arritmias

TEPS1Q3T3 · T V1–V4
TamponamentoAlternância elétrica
Arritmia instávelCardioversão já
ECG é ferramenta de triagem, não de exclusão. ECG normal não exclui TEP maciço, tamponamento inicial nem isquemia posterior. Sempre interpretar no contexto clínico e integrar com POCUS, gasometria e exame físico.
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IAM com supra de ST

TerritórioDerivações com supraArtéria culpadaImplicação no choque
Anterior extensoV1–V6, I, aVLDA proximalDisfunção de VE grave — choque cardiogênico de pior prognóstico
InferiorII, III, aVFCD ou CxAtenção: pode ter acometimento de VD — ver abaixo
VDV3R–V4R (derivações direitas)CD proximalDependente de pré-carga — volume com cautela, evitar nitratos
PosteriorInfra em V1–V3 + onda R altaCD ou Cx posteriorEspelho do supra posterior — derivações V7–V9 confirmam
Lateral altoI, aVLDA diagonal ou CxFrequentemente pequeno mas pode ser isolado — não subestimar
IAM de VD — armadilha hemodinâmica
  • Supra em II, III, aVF → sempre fazer V3R e V4R
  • Supra ≥ 1 mm em V4R = IAM de VD
  • VD dependente de pré-carga: volume 250–500 mL antes de vasopressor
  • Nitratos e diuréticos podem precipitar colapso súbito
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TEP de alto risco — padrões

Nenhum padrão é patognomônico. O mais específico (S1Q3T3) tem sensibilidade baixa (~20%). O ECG no TEP serve para suporte diagnóstico e para excluir IAM como diferencial.

AchadoSignificadoSensibilidade
S1Q3T3Onda S em DI + onda Q + inversão de T em DIII~20%
Bloqueio de ramo direito (completo ou incompleto)Sobrecarga aguda de VD~25%
Inversão de onda T em V1–V4Sobrecarga de VD — correlaciona com PAP elevada~34%
Taquicardia sinusalAchado mais frequente (~40%) — inespecífico~40%
Fibrilação atrial / flutterSobrecarga atrial direita por hipertensão pulmonar aguda<10%
ECG normalPresente em ~20% dos casos confirmados de TEP
Combinação com POCUS: VD dilatado no POCUS + S1Q3T3 + hipotensão = TEP de alto risco até prova em contrário. Não esperar TC se instabilidade hemodinâmica — considerar trombólise empírica conforme protocolo.
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Tamponamento pericárdico — pistas

MicrovoltagemQRS amplitude < 5 mm em derivações dos membros e < 10 mm nas precordiais. Frequente em derrames volumosos. Também em obesidade, DPOC e mixedema.
Alternância elétricaVariação cíclica da amplitude e/ou eixo do QRS. Muito específico para tamponamento hemodinâmico — coração "balançando" no líquido. Raramente ocorre por outra causa.
Tríade de Beck: hipotensão + estase jugular + bulhas abafadas. Quando associada à alternância elétrica e microvoltagem no ECG = tamponamento confirmado clinicamente. POCUS de janela subcostal é confirmatório e guia a pericardiocentese.
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Arritmias com repercussão hemodinâmica

ArritmiaCritério de instabilidadeConduta imediata
FA com resposta ventricular rápidaPAM < 65 + sinais de hipoperfusão + FC > 150Cardioversão elétrica sincronizada (200 J bifásico). Se estável: controle de frequência
Flutter atrialInstabilidade hemodinâmicaCardioversão elétrica sincronizada (50–100 J bifásico)
Taquicardia ventricular monomórficaCom pulso + instabilidadeCardioversão elétrica sincronizada (100 J). Sem pulso → PCR
Taquicardia ventricular polimórfica / FVSempre instávelDesfibrilação (200 J bifásico) + PCR protocolo
BAV total / BAVTFC < 40 + hipotensãoAtropina 0,5–1 mg IV; se refratário → marca-passo transcutâneo
Taquicardia sinusalFC > 120 com choqueTratar a causa do choque — controle de frequência é contraproducente
Regra do plantão: toda arritmia com instabilidade hemodinâmica requer cardioversão imediata — não espere a amiodarona fazer efeito. Amiodarona é opção em pacientes estáveis ou como manutenção do ritmo após cardioversão bem-sucedida.
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Distúrbios metabólicos no ECG

DistúrbioAchado no ECGQuando suspeitar no choque
Hipercalemia graveOnda T apiculada → QRS alargado → onda sinusoidal → FVChoque séptico com IRA · rabdomiólise · hemólise maciça
HipocalemiaOnda U proeminente · ST rebaixado · alargamento de QTSepse com perdas GI · uso de diuréticos · hiperaldosteronismo
HipotermiaOnda J de Osborn (deflexão positiva no ponto J) · FC bradicárdicaChoque + temperatura < 35°C — medir temperatura central
Acidose graveQRS alargado · PR prolongado (efeito da hipercalemia associada)Qualquer choque com pH < 7,1 · intoxicação por antidepressivos tricíclicos
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Checklist ECG rápido — 60 segundos

  1. 1Ritmo e frequência. Sinusal? Taquicárdico (> 100)? Bradicárdico (< 60)? FA/flutter? Taquicardia ventricular?
  2. 2Supra de ST. Alguma derivação com supra? → Ativar protocolo IAM. Inferior → fazer V3R/V4R. Difuso? Pensar pericardite ou espasmo.
  3. 3Sinais de sobrecarga de VD. S1Q3T3? Bloqueio de ramo direito? Inversão T em V1–V4? → TEP até prova em contrário.
  4. 4Microvoltagem / alternância elétrica. QRS < 5 mm nos membros + alternância de amplitude → tamponamento. POCUS subcostal imediato.
  5. 5Distúrbios metabólicos. Onda T apiculada (hipercalemia)? QRS alargado difuso? Onda U? → Checar eletrólitos e gasometria.