Procedimentos — Emergência cardíaca

Cardioversão, Desfibrilação & Marca-passo

Manejo elétrico de arritmias instáveis e bradiarritmias sintomáticas na UTI.

Cardioversão sincronizada FA120–200 J
MP transcutâneoPonte até transvenoso

Três intervenções elétricas distintas, frequentemente confundidas: desfibrilação (choque não sincronizado, para ritmos sem pulso ou FV/TV instável), cardioversão sincronizada (choque sincronizado ao QRS, para taquiarritmias com pulso instáveis) e marca-passo (estimulação elétrica para bradiarritmias sintomáticas ou bloqueios de alto grau).

01

Desfibrilação vs cardioversão sincronizada

DesfibrilaçãoCardioversão sincronizada
IndicaçãoFV, TV sem pulso, PCR em ritmo chocávelTV com pulso instável, FA/flutter/TSV instáveis com pulso
SincronismoNão sincronizado — choque imediatoSincronizado ao QRS — evita choque na onda T (risco de FV)
Energia (bifásico)120–200 J (dose máxima do aparelho se dúvida)FA: 120–200 J · Flutter/TSV: 50–100 J · TV monomórfica com pulso: 100 J
SedaçãoNão aplicável (paciente sem consciência)Sedação/analgesia rápida se paciente consciente e tempo permitir
Armadilha clássica: esquecer de ativar o modo sincronizado na cardioversão eletiva. Sem sincronismo, o choque pode cair na onda T (período vulnerável) e precipitar FV. Sempre confirmar as marcações de sincronismo no monitor antes de disparar.
AHA — ACLS 2020 guidelines (Adult tachycardia / cardiac arrest algorithms)
02

Marca-passo transcutâneo (MPTC)

IndicaçãoBradicardia sintomática refratária a atropina, BAVT, BAV Mobitz II, ou bradicardia pós-PCR com instabilidade — sempre como ponte até marca-passo transvenoso ou reversão da causa.
Posicionamento das pásAnteroposterior preferencial: pá anterior em região precordial esquerda, pá posterior infraescapular esquerda — reduz limiar de captura vs posição anterolateral.
Sedação/analgesiaA estimulação transcutânea é dolorosa (contração da musculatura torácica) — sedar/analgesiar antes de aumentar a corrente, se o quadro clínico permitir.
  1. 1
    Conectar eletrodos de MP e monitorização; confirmar traçado no monitor.
  2. 2
    Selecionar modo — demanda (sincronizado) na maioria dos casos, evitando competir com ritmo próprio; modo fixo (assíncrono) apenas se artefato impedir detecção confiável do próprio ritmo.
  3. 3
    Ajustar frequência-alvo (geralmente 60–80 bpm) e iniciar corrente baixa, aumentando progressivamente até obter captura elétrica (espícula seguida de QRS largo) — tipicamente 50–100 mA.
  4. 4
    Confirmar captura mecânica — pulso palpável (preferir femoral; radial pode ser mascarado por artefato muscular) sincronizado com a espícula, não apenas captura elétrica na tela.
  5. 5
    Reavaliar a causa de base (hipercalemia, isquemia, intoxicação por betabloqueador/bloqueador de canal de cálcio, digoxina) — o MPTC é ponte, não tratamento definitivo.
AHA — ACLS 2020 guidelines (Bradycardia algorithm); UpToDate — Temporary cardiac pacing
03

Marca-passo transvenoso (MPTV)

UpToDate — Temporary cardiac pacing
O que não fazer