Pneumonia adquirida na comunidade grave
Beta-lactâmico com macrolídeo, microbiologia colhida para poder desescalar, e ampliação só com fator de risco validado. O corticoide é a parte em que as diretrizes ainda discordam.
Serve para o adulto imunocompetente com PAC grave. Não cobre pneumonia hospitalar ou associada à ventilação, imunossupressão profunda (neutropenia, transplante, HIV avançado), abscesso e empiema — todos exigem esquema e investigação próprios.
Confira antes de copiar qualquer item: idade, peso aferido e o peso usado na dose, alergias, gestação/lactação, comorbidades, medicamentos prévios e a última dose, creatinina e ClCr, função hepática, ECG/QTc, eletrólitos, glicemia, acesso disponível, a apresentação padronizada na sua farmácia e o destino/nível de monitorização. Nada aqui substitui o protocolo institucional nem o julgamento de quem está com o paciente.
A ordem é a da prescrição real: confirmar e estratificar, o que muda desfecho primeiro, as condutas condicionais, e a rotina que sustenta o resto — dieta, cuidados, profilaxias. Dose sempre visível; o porquê, a evidência e as controvérsias em "por quê & armadilhas".
Item por item
Os escores de gravidade (CURB-65, PSI) foram feitos para decidir internação, não para identificar quem vai para a UTI. Os critérios ATS/IDSA existem porque a mortalidade da PAC grave é dirigida por falência de órgão, não por extensão radiológica — e é por isso que um paciente com infiltrado modesto, PaO₂/FiO₂ de 200, ureia alta e confusão é mais grave que outro com "pneumonia extensa" na radiografia e nenhum órgão falhando.
O grupo que mais se perde é o dos três menores sem nenhum maior: sem tubo e sem vasopressor, o paciente ainda conversa, ainda parece "estável para enfermaria" — e é justamente o que descompensa de madrugada. Marcar os critérios na calculadora leva vinte segundos e transforma uma impressão em contagem, que é o que sustenta o pedido de vaga.
Metlay JP, Waterer GW, Long AC, et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45–e67 · Jones BE, Ramirez JA, Oren E, et al. Diagnosis and Management of Community-acquired Pneumonia. An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2025;212(1):24–44 — atualização da ATS sem endosso da IDSA (Klompas M, et al. IDSA Position Statement. Clin Infect Dis. 2025;82(4):622–624) · Martin-Loeches I, et al. ERS/ESICM/ESCMID/ALAT guidelines for severe CAP. Eur Respir J. 2023;61(4):2200735 · Dequin PF, et al. Hydrocortisone in Severe Community-Acquired Pneumonia (CAPE COD). N Engl J Med. 2023;388(21):1931–1941.A microbiologia na PAC grave serve menos para acertar o empírico e mais para desescalonar — e é por isso que ela precisa ser colhida antes da primeira dose, mesmo sabendo que a maioria virá negativa. O swab de MRSA é o exemplo mais prático: um resultado negativo retira vancomicina em 48 h.
Metlay JP, Waterer GW, Long AC, et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45–e67 · Jones BE, Ramirez JA, Oren E, et al. Diagnosis and Management of Community-acquired Pneumonia. An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2025;212(1):24–44 — atualização da ATS sem endosso da IDSA (Klompas M, et al. IDSA Position Statement. Clin Infect Dis. 2025;82(4):622–624) · Martin-Loeches I, et al. ERS/ESICM/ESCMID/ALAT guidelines for severe CAP. Eur Respir J. 2023;61(4):2200735 · Dequin PF, et al. Hydrocortisone in Severe Community-Acquired Pneumonia (CAPE COD). N Engl J Med. 2023;388(21):1931–1941.A combinação beta-lactâmico + macrolídeo tem sinal consistente de benefício na PAC grave, e a hipótese que melhor explica não é só cobrir atípicos: é o efeito imunomodulador do macrolídeo. Por isso ele não é dispensável quando o beta-lactâmico é ampliado — trocar ceftriaxona por piperacilina/tazobactam não cobre Legionella.
Sobre duração, o erro de leitura mais comum agora é importar para a UTI a manchete do "curso mais curto". O encurtamento validado é do paciente não grave; na PAC grave a recomendação é forte para 5 dias ou mais, e — a parte que mais se perde — a contagem começa na estabilidade clínica, não na primeira dose. Contar cinco dias num paciente ainda febril, taquipneico e dependente de oxigênio é subtratar com aval de diretriz.
Metlay JP, Waterer GW, Long AC, et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45–e67 · Jones BE, Ramirez JA, Oren E, et al. Diagnosis and Management of Community-acquired Pneumonia. An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2025;212(1):24–44 — atualização da ATS sem endosso da IDSA (Klompas M, et al. IDSA Position Statement. Clin Infect Dis. 2025;82(4):622–624) · Martin-Loeches I, et al. ERS/ESICM/ESCMID/ALAT guidelines for severe CAP. Eur Respir J. 2023;61(4):2200735 · Dequin PF, et al. Hydrocortisone in Severe Community-Acquired Pneumonia (CAPE COD). N Engl J Med. 2023;388(21):1931–1941.A retirada do conceito de HCAP foi uma das correções mais úteis da diretriz de 2019: ele levava a ampliar espectro em uma população que, na maioria, tinha pneumonia comunitária comum — com mais toxicidade, mais resistência e sem ganho de mortalidade. O erro que ele institucionalizava era de raciocínio: transformar contato com o sistema de saúde em presença de germe resistente, quando o que prediz resistência é ter tido o germe, não ter frequentado o hospital.
Vale registrar que essa retirada resistiu à revisão de 2025 — que voltou a mexer em duração, corticoide, imagem e antibiótico no paciente com teste viral positivo, e deixou HCAP enterrado. A conduta correta no idoso da ILPI com pneumonia continua sendo ceftriaxona com macrolídeo, e não piperacilina/tazobactam com vancomicina "porque veio de casa de repouso".
Metlay JP, Waterer GW, Long AC, et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45–e67 · Jones BE, Ramirez JA, Oren E, et al. Diagnosis and Management of Community-acquired Pneumonia. An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2025;212(1):24–44 — atualização da ATS sem endosso da IDSA (Klompas M, et al. IDSA Position Statement. Clin Infect Dis. 2025;82(4):622–624) · Martin-Loeches I, et al. ERS/ESICM/ESCMID/ALAT guidelines for severe CAP. Eur Respir J. 2023;61(4):2200735 · Dequin PF, et al. Hydrocortisone in Severe Community-Acquired Pneumonia (CAPE COD). N Engl J Med. 2023;388(21):1931–1941.Vale entender por que o reflexo é tão forte e ainda assim errado. Pneumonia faz falta de ar, e falta de ar no hospital chama nebulização — só que o mecanismo é diferente: no broncoespasmo o problema é fluxo, e o beta-agonista resolve; na pneumonia o problema é alvéolo cheio e shunt, e nenhuma dose de salbutamol abre alvéolo consolidado. O paciente sente alívio subjetivo pelo fluxo frio no rosto e pela sensação de estar sendo tratado, e o serviço lê isso como resposta.
O dado que mais informa a decisão não vem da pneumonia, vem da lesão pulmonar aguda, onde a hipótese de que o beta-agonista aceleraria a reabsorção de edema alveolar foi testada duas vezes e falhou nas duas: o ensaio com salbutamol inalatório não melhorou dias livres de ventilação nem mortalidade, e o ensaio com salbutamol endovenoso foi interrompido por segurança — mortalidade em 28 dias de 34% contra 23% no placebo. Nenhum dos dois é pneumonia, mas juntos desmontam o raciocínio fisiopatológico que sustentava a prescrição em alvéolo inundado.
A regra prática, então: inalatório em pneumonia é tratamento de sibilo, e sibilo se ausculta. Existe? Trate e reavalie em uma hora. Não existe? A inalação não é neutra — ela taquicardiza, derruba potássio e ocupa a equipe de enfermagem seis vezes ao dia com uma prescrição que ninguém revisa até a alta.
ICS-LABA: nenhuma diretriz de PAC recomenda iniciar corticoide inalatório ou broncodilatador de longa duração para tratar pneumonia; a conduta descrita é manter a terapia de manutenção de quem já tem asma ou DPOC · ICS e risco de pneumonia no DPOC: Crim C, Calverley PMA, Anderson JA, et al. Pneumonia risk in COPD patients receiving inhaled corticosteroids alone or in combination — TORCH study results. Eur Respir J. 2009;34(3):641–647 — maior taxa de pneumonia com fluticasona isolada ou combinada (84 e 88 por 1.000 pacientes-ano) do que com salmeterol ou placebo (52 por 1.000); revisões sistemáticas posteriores estimam aumento de cerca de 40% do risco com uso ≥ 1 ano, maior com fluticasona; a retirada do ICS em pacientes sem história de exacerbações frequentes reduz pneumonia sem aumentar exacerbações (diretriz da European Respiratory Society sobre retirada de ICS no DPOC, Eur Respir J. 2020;55(6):2000351) · Ausência de indicação de rotina: Metlay JP, Waterer GW, Long AC, et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45–e67 — broncodilatador reservado a doença obstrutiva com broncoespasmo; a atualização de 2025 não introduziu recomendação de inalatório na PAC · Falha do beta-agonista em alvéolo inundado: National Heart, Lung, and Blood Institute ARDS Clinical Trials Network. Randomized, Placebo-controlled Clinical Trial of an Aerosolized β2-Agonist for Treatment of Acute Lung Injury (ALTA). Am J Respir Crit Care Med. 2011;184(5):561–568 — sem benefício em dias livres de ventilação ou mortalidade · Smith FG, Perkins GD, Gates S, et al. BALTI-2. Lancet. 2012;379(9812):229–235 — salbutamol EV interrompido por excesso de mortalidade (34% vs 23%) · Nota de evidência: não existe ensaio randomizado de broncodilatador inalatório especificamente em PAC sem doença obstrutiva; a conduta acima é extrapolação declarada, e por isso a página a trata como teste terapêutico com reavaliação, não como prescrição fixa.O corte de 48 horas vem dos estudos em ambulatório. No internado grave a replicação viral persiste e o benefício se mantém — por isso a recomendação separa os dois cenários.
Metlay JP, Waterer GW, Long AC, et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45–e67 · Jones BE, Ramirez JA, Oren E, et al. Diagnosis and Management of Community-acquired Pneumonia. An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2025;212(1):24–44 — atualização da ATS sem endosso da IDSA (Klompas M, et al. IDSA Position Statement. Clin Infect Dis. 2025;82(4):622–624) · Martin-Loeches I, et al. ERS/ESICM/ESCMID/ALAT guidelines for severe CAP. Eur Respir J. 2023;61(4):2200735 · Dequin PF, et al. Hydrocortisone in Severe Community-Acquired Pneumonia (CAPE COD). N Engl J Med. 2023;388(21):1931–1941.| Esquema | Dose | Duração | De onde vem |
|---|---|---|---|
| Hidrocortisona — CAPE COD o mais reproduzido | 200 mg/dia EV em infusão contínua (ou 50 mg EV 6/6 h) nos 4 primeiros dias | reavaliar no 4º dia: melhorou → desmame com total de 8 dias · não melhorou → manter e desmamar com total de 14 dias | ensaio randomizado que reduziu mortalidade em 28 dias na PAC grave em UTI |
| Metilprednisolona | 0,5 mg/kg 12/12 h (≈ 40 mg/dia para 70 kg) | 5 dias | esquema alternativo de outros ensaios — menos reproduzido; use apenas se for o padronizado no serviço |
Esta é a recomendação mais instável da página, e a página diz isso em vez de escolher um lado. O CAPE COD mostrou redução de mortalidade em PAC grave, mas a população era selecionada e a exclusão de influenza importa — em pneumonia por influenza o corticoide tem sinal de dano.
Vale explicitar o que "baixa certeza" significa na prática, porque a expressão anestesia. Significa que o intervalo de confiança do benefício é largo, que ensaios anteriores não reproduziram o achado, que a população do CAPE COD era de UTI com critérios de gravidade específicos — e que aplicar o esquema a um paciente de enfermaria com pneumonia extensa mas sem os critérios do ensaio é extrapolação, não seguimento de diretriz. A pergunta que ordena a decisão não é "a diretriz permite?", é: este paciente se parece com os do ensaio, e existe algum outro motivo para ele receber corticoide? Se a resposta às duas for não, a inércia é uma escolha defensável.
Metlay JP, Waterer GW, Long AC, et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45–e67 · Jones BE, Ramirez JA, Oren E, et al. Diagnosis and Management of Community-acquired Pneumonia. An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2025;212(1):24–44 — atualização da ATS sem endosso da IDSA (Klompas M, et al. IDSA Position Statement. Clin Infect Dis. 2025;82(4):622–624) · Martin-Loeches I, et al. ERS/ESICM/ESCMID/ALAT guidelines for severe CAP. Eur Respir J. 2023;61(4):2200735 · Dequin PF, et al. Hydrocortisone in Severe Community-Acquired Pneumonia (CAPE COD). N Engl J Med. 2023;388(21):1931–1941. · Esquema de hidrocortisona: Dequin PF, Meziani F, Quenot JP, et al. Hydrocortisone in Severe Community-Acquired Pneumonia (CAPE COD). N Engl J Med. 2023;388(21):1931–1941 — hidrocortisona 200 mg/dia EV nos dias 1 a 4, com decisão no 4º dia (PaO₂/FiO₂ > 200, respiração espontânea e SOFA do dia 4 ≤ o do dia 1) entre curso total de 8 ou 14 dias com desmame preestabelecido; excluíram-se pacientes em vasopressor por choque séptico na inclusão e com PCR positiva para influenza · Força da recomendação: Jones BE, et al. Am J Respir Crit Care Med. 2025;212(1):24–44 — corticoide sistêmico sugerido na PAC grave (condicional, baixa qualidade) e fortemente não recomendado na PAC não grave; atualização da ATS sem endosso da IDSA.Cinco dias com estabilidade sustentada é o padrão moderno, e a maior parte dos cursos longos vem de inércia, não de indicação. Mas "estabilidade sustentada" é a parte que se esquece: contar cinco dias num paciente que ainda está taquipneico e febril é subtratar.
Metlay JP, Waterer GW, Long AC, et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45–e67 · Jones BE, Ramirez JA, Oren E, et al. Diagnosis and Management of Community-acquired Pneumonia. An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2025;212(1):24–44 — atualização da ATS sem endosso da IDSA (Klompas M, et al. IDSA Position Statement. Clin Infect Dis. 2025;82(4):622–624) · Martin-Loeches I, et al. ERS/ESICM/ESCMID/ALAT guidelines for severe CAP. Eur Respir J. 2023;61(4):2200735 · Dequin PF, et al. Hydrocortisone in Severe Community-Acquired Pneumonia (CAPE COD). N Engl J Med. 2023;388(21):1931–1941.O jejum prolongado é a prescrição mais barata de escrever e uma das mais caras de sustentar: cada dia sem aporte custa massa muscular num paciente que vai precisar dela para desmamar, sentar e andar. A pergunta de visita não é "está em jejum?", é "por que ainda está, e até quando?".
Estes itens não competem com a doença principal — eles decidem se o paciente sai da UTI com a doença resolvida e o corpo inteiro, ou resolvido e com uma lesão por pressão em sacro que vai custar meses. Lesão por pressão, pneumonia por aspiração e fraqueza adquirida na UTI são as três complicações que a prescrição previne com linhas que ninguém lê.
A cabeceira elevada é o exemplo perfeito: é gratuita, tem efeito documentado sobre pneumonia associada à ventilação, e é a primeira coisa que se perde quando o leito é abaixado para um procedimento e ninguém sobe de volta.
Os dois fatores de risco independentes clássicos vêm do estudo de Cook: ventilação mecânica prolongada e coagulopatia. Fora deles, o sangramento clinicamente importante é raro o suficiente para que o dano da supressão ácida — pneumonia e colite por C. difficile — comece a pesar mais.
A armadilha real não é começar, é não parar. A indicação some quando o paciente extuba e a coagulação normaliza; a prescrição, não. É assim que um inibidor de bomba iniciado numa UTI vira uso crônico de anos, com a hipomagnesemia que ele causa aparecendo lá na frente, sem que ninguém ligue os dois.
Cook DJ, Fuller HD, Guyatt GH, et al. Risk factors for gastrointestinal bleeding in critically ill patients. N Engl J Med. 1994;330(6):377–381 — os dois fatores independentes. Os fatores menores vêm de consensos posteriores; não há escore validado único.O escore de Pádua foi construído justamente para separar quem se beneficia de quem só recebe: no estudo original, os pacientes de alto risco sem profilaxia tiveram cerca de 11% de TEV, contra pouco mais de 2% nos de baixo risco. É essa diferença que justifica prescrever — e que explica por que prescrever para todo mundo dilui o benefício e soma sangramento.
Duas armadilhas de plantão. A primeira é a dose fixa em quem não a comporta: no ClCr abaixo de 30 a enoxaparina acumula, e a dose profilática vira quase terapêutica. A segunda é a soma silenciosa — o paciente que já recebe heparina plena por outro motivo e ganha mais 40 mg de enoxaparina porque "está internado".
Barbar S, Noventa F, Rossetto V, et al. A risk assessment model for the identification of hospitalized medical patients at risk for venous thromboembolism: the Padua Prediction Score. J Thromb Haemost. 2010;8(11):2450–2457.O que não prescrever
Ceftriaxona ou macrolídeo isolados na PAC grave. Monoterapia com fluoroquinolona no grave. Cobrir MRSA ou Pseudomonas sem fator de risco validado. Ampliar por residência em instituição de longa permanência — o conceito de HCAP foi abandonado. Esquecer atípicos ao ampliar o beta-lactâmico. Anaerobicida por aspiração sem abscesso ou empiema. Negar antibiótico inicial por procalcitonina. E corticoide automático na pneumonia por influenza.
Reavaliar em 24–48 h é o item que separa boa prescrição de rotina: descalonar com o swab de MRSA e as culturas, encurtar para o mínimo com estabilidade sustentada, e trocar para via oral. Deterioração apesar do esquema adequado pede procurar complicação — empiema, abscesso, TEP — antes de ampliar espectro.
Levar o caso ao assistente de conduta