Desmame Ventilatório — SAT / SBT / Extubação
Critérios, protocolo e escolha entre T-piece vs PSV baixo
Critérios para iniciar avaliação
- Causa da intubação em resolução ou controlada
- SpO₂ ≥ 90% com FiO₂ ≤ 0,4 e PEEP ≤ 8 cmH₂O
- Drive respiratório presente (RASS ≥ −2)
- Hemodinamicamente estável (DVA baixa ou desmamando)
- Capaz de proteger via aérea (tosse adequada)
- Secreção manejável (aspiração ≤ q2h suficiente)
- Agitação grave (RASS >+2) — controlar antes
- Instabilidade hemodinâmica ativa
- Lesão neurológica aguda com proteção de VA incerta
- Obstrução de VA acima do cuff não resolvida
- Esforço inspiratório inadequado (P0.1 <1 cmH₂O)
SAT — Spontaneous Awakening Trial
Antes do SBT, interromper a sedação continuamente administrada (não apenas reduzir). Meta: RASS −1 a +1. O SAT deve ser monitorado ativamente.
- 1Elegibilidade. Seguro iniciar se: sem agitação ativa, sem convulsões nas últimas 24h, sem bloqueio neuromuscular, FiO₂ ≤70%, PEEP ≤10, sem deterioração clínica aguda.
- 2Suspender sedação. Interromper propofol ou midazolam. Manter analgesia (fentanil ou morfina). Monitorar continuamente por 30–120 min.
- ✕Falha SAT. Suspender e reiniciar sedação em dose menor se: agitação grave (RASS >+2), SpO₂ <88%, FR >35 irpm por >5 min, FC >140 ou variação >20% por >5 min, angústia respiratória evidente.
SBT — Spontaneous Breathing Trial
Testa se o paciente consegue respirar com suporte mínimo por 30–120 min. Realizar após SAT bem-sucedido. Duas modalidades com eficácia semelhante:
| Modalidade | Configuração | Vantagens | Quando preferir |
|---|---|---|---|
| T-piece (peça em T) | Tubo desconectado do ventilador + fluxo de O₂ contínuo. Paciente respira completamente sem assistência. | Testa condições mais próximas da extubação. Detecta pacientes que "trapaceiam" com suporte mínimo de PSV. | Pacientes de baixo risco de falha. Pós-operatório de cirurgia cardíaca. Teste mais rigoroso. |
| PSV baixo PS 5–8 cmH₂O + PEEP 5 | Pressão-suporte de 5–8 cmH₂O (apenas para superar resistência do tubo) + PEEP 5 cmH₂O. | Confortável, monitorizado continuamente no ventilador. Alarmes ativos. Acesso rápido se falha. | Pacientes de alto risco (DPOC, ICC, idosos, VM prolongada). Preferência da maioria dos intensivistas. |
AARC 2024: avaliação diária padronizada da prontidão; SBT com ou sem PSV baixa (≤ 8); a FiO₂ não deve ser aumentada durante o SBT; o IRRS (f/VT) não é obrigatório para decidir o teste (permanece útil como um dos critérios de sucesso).
Falha vs sucesso do SBT
- SpO₂ <88% por >5 min
- FR >35 irpm por >5 min
- FC >140 bpm ou variação >20%
- PA sistólica <90 ou >180 mmHg
- Agitação, diaforese, uso de musculatura acessória
- Alteração do nível de consciência
- FR 12–25 irpm
- SpO₂ ≥ 90%
- VC > 5 mL/kg PBW
- IRRS (f/VT) < 105
- Sem angústia respiratória
- Hemodinamicamente estável por 30–120 min
Critérios de extubação
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Checklist pré-extubação
- SBT bem-sucedido
- Tosse forte (pico expiratório ≥ 60 L/min ou avaliação clínica)
- Secreção manejável
- Consciente e cooperativo (GCS ≥ 8, obedece comandos simples)
- Proteção de VA (engolir, tossir ao comando)
- Cuff leak test positivo em pacientes de risco
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Cuff leak — quando testar
- Indicações: IOT >72 h, sexo feminino, trauma laríngeo, reintubação prévia
- Método: desinsuflar o cuff e medir VC inspirado − VC expirado
- Leak <110 mL (ou <12% do VC) → risco de estridor
- Conduta: metilprednisolona 20 mg IV q4h por 12 h antes da extubação
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Pós-extubação de alto risco
- Grupo: DPOC, ICC, idosos, VM >7 dias, hipercápnicos
- VNI profilática logo após extubar (reduz reintubação ~50% nesse grupo)
- Material de reintubação à beira do leito por 1 h
- IRRS < 105 — sucesso do SBT (sens. 97%, esp. 64%)
- IRRS < 80 — alta probabilidade de extubação bem-sucedida
- Não usar em PSV baixo — o suporte altera o cálculo
Extubar é uma decisão, não uma consequência automática do teste. Planeje o suporte imediato — VNI ou cânula nasal de alto fluxo profiláticos no paciente de risco — mantenha a interrupção da sedação alinhada ao SAT e vigie as complicações das primeiras horas pós-extubação. Quando o desmame se arrasta e a falha se repete, a pergunta deixa de ser o ventilador e passa a ser a via aérea — é aí que entra a traqueostomia. Fechado o ciclo, os pontos-chave condensam o módulo e o quiz mostra o que não ficou.
Levar o caso ao assistente de conduta