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Hipernatremia

Quase nunca é sal demais — é água de menos, e o motivo mais comum não é fisiológico: é alguém que não alcança o copo. A conta do déficit é simples; o que erra é a velocidade.

Serve para a hipernatremia do adulto internado — do idoso acamado que chega com 162 ao paciente de UTI que sobe o sódio na primeira semana. O raciocínio de mecanismo, com o fluxograma, vive na página de sódio do Nefro Guide; aqui está a prescrição.

Antes de prescrever qualquer item desta página.

As apresentações variam entre serviços — ampola, percentual e mEq por mL mudam de fabricante para fabricante. Toda concentração desta página traz a conta explícita justamente para você conferir a apresentação da sua farmácia antes de assinar. Nada aqui substitui o protocolo institucional nem a padronização da farmácia clínica.

Como usar.

A ordem é a do raciocínio: decidir se trata agora, escolher a via, e respeitar o teto de velocidade — que aqui é o que separa tratamento de iatrogenia. Toda concentração e toda vazão desta página foram calculadas por script (scripts/calc-dhe.mjs), não à mão. Dose sempre visível; o porquê em "por quê & armadilhas".

Do sódio alto até a conduta

O fluxo completo, da suspeita à prescrição. Ele começa por uma pergunta que não é fisiológica: este paciente consegue alcançar um copo de água? — porque na maioria das vezes é aí que a resposta está.

·Sódio alto — quase sempre é água que faltou, não sal que sobrou
A hipernatremia é uma doença de acesso à água antes de ser de fisiologia. Três perguntas: o paciente está perfundindo? · de onde a água está saindo? · há quanto tempo? — e a última define o teto, como na hiponatremia, só que no sentido contrário.
1Está perfundindo? — o volume vem antes da tonicidade
Com má perfusão, a ordem inverte: cristaloide isotônico primeiro. Soro fisiológico num paciente com Na 168 já é relativamente hipotônico e começa a corrigir enquanto restaura o volume.
Instável / hipovolêmico
Hipotensão, taquicardia, lactato
SF 0,9% até restaurar perfusão
Só depois passar ao déficit de água livre. Corrigir tonicidade em quem não perfunde é tratar o exame.
Estável
Perfusão preservada
Ir direto ao déficit de água livre
Preferir a via enteral: água pela sonda é mais fisiológica, mais barata e sem risco de glicose EV.
2Por onde a água está saindo? — o mecanismo muda o tratamento
A urina responde quase sempre: volume, densidade e osmolaridade urinária separam os três grupos.
Perda de água sem acesso a repor
Urina concentrada, volume baixo
Repor água — e devolver o acesso
O cenário dominante no hospital: acamado, demente, intubado, sedado. Sem resolver o acesso, recidiva na semana seguinte.
Diabetes insípido
Poliúria com urina DILUÍDA
Central → desmopressina · nefrogênico → retirar o agente
Nefrogênico: lítio, hipercalcemia, hipocalemia. Tiazídico e restrição de sal têm papel, com nefrologia.
Diurese osmótica
Poliúria com urina não diluída
Controlar glicose, revisar manitol e carga proteica
A glicosúria, a ureia da dieta hiperproteica e o manitol arrastam água. Tratar a causa, não só repor.
3Há quanto tempo? — o teto, no sentido inverso
Aqui o cérebro fabricou osmóis para não murchar. Se a água entra rápido, ela entra no neurônio: convulsão e rebaixamento no meio da "melhora laboratorial".
Aguda documentada (< 48 h)
Erro de preparo de fórmula, ingestão de sal, DI agudo
Pode corrigir mais rápido
O cérebro ainda não gerou osmóis idiogênicos. Mas "aguda" precisa ser documentada, não presumida.
Crônica ou indeterminada
A regra
Não baixar mais de 10 mEq/L em 24 h
Muitos serviços usam 8 como margem. Piora do sensório durante a correção = edema cerebral até prova em contrário.
E o item que mais previne recidiva
A hipernatremia hospitalar costuma ser adquirida no hospital — é marcador de cuidado, não só de doença.
Água em horário fixo
Prescrição, não cuidado
Ex.: 200 mL pela sonda 4/4 h, ajustado ao déficit e ao balanço. Escrita com volume e intervalo, como um antibiótico.
Revisar o que entra
Sal que ninguém conta
Soro salino em excesso, bicarbonato, antibiótico com sódio alto e nutrição hiperosmolar somam sódio invisível.
Refazer a conta
Todo dia
O déficit se recalcula com o peso atual, somando as perdas em curso — febre, poliúria, drenos.
O quêFórmulaOnde erra
Água corporal totalpeso × 0,6 (homem) · 0,5 (mulher e homem idoso) · 0,45 (mulher idosa)Superestima no obeso e no edemaciado
Déficit de água livreACT × [(Na atual ÷ Na alvo) − 1]Ignora a perda que continua acontecendo — some ~1 L/dia de insensível, mais febre e poliúria
Ritmo seguro≤ 10 mEq/L em 24 h (crônica)Contar do sódio de entrada, não do último exame do dia

A conta dá um total, não uma prescrição de plantão: ele se distribui em 48 h ou mais. Repor só o déficit calculado, sem somar a perda contínua, deixa o sódio parado — e a equipe conclui que "a conta estava errada".

Item por item

Choque ou hipovolemia franca? — cristaloide isotônico antes da água livre
hipernatremia com má perfusão é problema de volume, não de tonicidade
Instável / hipovolêmico: SF 0,9% até restaurar perfusão — o soro "hipotônico em relação ao paciente" já ajuda a baixar o sódio
Estável: pular direto para o déficit de água livre (item 02)
Procurar a causa: na esmagadora maioria é falta de acesso à água (acamado, demente, intubado, sedado) — e não sede excessiva
Descartar perda renal de água: poliúria com urina diluída aponta diabetes insípido (central ou nefrogênico) ou diurese osmótica (glicose, ureia, manitol)
Por quê & armadilhas

A hipernatremia quase nunca é um problema de sal a mais — é de água a menos. E o motivo mais comum não é fisiológico, é logístico: alguém que não alcança o copo. Isso muda a prescrição, porque tratar a tonicidade sem restaurar o acesso à água garante a recidiva na semana seguinte.

Quando há má perfusão, a ordem inverte: cristaloide isotônico primeiro. Soro fisiológico tem 154 mEq/L; num paciente com sódio de 168, ele é relativamente hipotônico e já começa a corrigir enquanto restaura o volume.

Adrogué HJ, Madias NE. Hyponatremia · Hypernatremia. N Engl J Med. 2000;342(21):1581–1589 e 2000;342(20):1493–1499.
Calcular o déficit de água livre — e corrigir devagar
a conta é simples; o que erra é a velocidade
Déficit de água livre (L) = ACT × [(Na atual ÷ Na desejado) − 1], com ACT = peso × 0,6 (homem) ou × 0,5 (mulher); no idoso, 0,5 e 0,45
Déficit de água livre a conta com o alvo
Exemplo — homem, 70 kg, Na 160, alvo 140: ACT = 42 L → 42 × (160/140 − 1) = 6 L de déficit
Somar a perda contínua (insensível ~800–1000 mL/dia, febre, poliúria, drenos) — repor só o déficit deixa o sódio parado
Via preferida: enteral — água pela sonda é mais fisiológica, mais barata e não traz o risco de glicose EV
Se EV: SG 5% como água livre · SF 0,45% quando também falta volume (metade do volume conta como água livre)
Quantos mL/h, na prática
Não existe ensaio que defina a vazão — e a página não vai fingir que existe. O que existe é aritmética: a vazão sai do quanto o sódio pode cair (item 03), da água livre que cada solução entrega e das perdas que continuam. Some as três e você tem o mL/h; depois confira no sódio de 4/4–6/6 h, que é o que realmente manda
Quanto cada litro derruba o sódio (fórmula de Adrogué–Madias, ΔNa por litro infundido) = (Na da solução − Na do paciente) ÷ (ACT + 1) · SG 5% tem Na 0 · SF 0,45% tem Na 77
Exemplo fechado — o mesmo homem de 70 kg, ACT 35 L (idoso), Na 165, meta de cair 10 mEq em 24 h:
SoluçãoΔNa por litroVolume para cair 10 mEq/24 hVazão+ perdas insensíveis
SG 5%−4,6 mEq/L2,2 L91 mL/h≈ 130 mL/h
SF 0,45%−2,4 mEq/L4,1 L170 mL/h≈ 210 mL/h
Regra de bolso que sobrevive sem calculadora: SG 5% a 1–1,5 mL/kg/h costuma cair perto de 0,4–0,5 mEq/L/h — que é o ritmo do teto de 10 em 24 h. Comece por aí e corrija pela dosagem, não pela fórmula
Cuidados da vazão: SG 5% acima de ~150 mL/h costuma hiperglicemiar e criar diurese osmótica que piora a hipernatremia — se precisar de mais água livre que isso, prefira a via enteral (água pela sonda, 200–300 mL de 4/4–6/6 h) ou some as duas · o SF 0,45% entrega só metade da água livre por litro, então exige quase o dobro do volume: cuidado no cardiopata e no renal
Reavalie o sódio em 4–6 h e refaça a conta: as fórmulas subestimam sistematicamente a queda real na maioria dos estudos, porque ignoram as perdas urinárias que mudam de hora em hora. A fórmula dá o ponto de partida; a dosagem seriada dá a prescrição
Por quê & armadilhas

A conta do déficit assusta pela ordem de grandeza — seis litros — e é justamente por isso que ela precisa ser escrita: sem o número, a reposição vira "um soro de manutenção" e o sódio não se move. Mas o número é um total, não uma prescrição de plantão: ele se distribui ao longo de 48 horas ou mais.

Repare que a fórmula ignora a perda que continua acontecendo enquanto você repõe. Um paciente febril e poliúrico pode perder mais água por dia do que a reposição entrega — e o sódio sobe apesar do soro correndo. Por isso a conta se refaz a cada 24 h, com o balanço na mão.

Sobre a velocidade, vale saber em que terreno você está pisando: não há diretriz formal de taxa de correção da hipernatremia, e o teto de 10 mEq/24 h vem de extrapolação fisiológica e de série de casos, não de ensaio. Mais do que isso — a literatura recente desafia o dogma. Estudos de coorte em pacientes críticos não encontraram mais mortalidade, convulsão ou edema cerebral com correção acima de 0,5 mEq/L/h, e vários encontraram o oposto: correção lenta demais associada a pior mortalidade. Isso não autoriza correr — os dados são observacionais e sujeitos a confusão por indicação — mas justifica a postura desta página: perseguir o teto sem medo de chegar perto dele, e não Adrogué HJ, Madias NE. Hypernatremia. N Engl J Med. 2000;342(20):1493–1499 — fórmula do ΔNa por litro infundido, usada nas contas de vazão acima · Adrogué HJ, Madias NE. Hyponatremia. N Engl J Med. 2000;342(21):1581–1589 · Sobre a taxa de correção: não existem diretrizes formais estabelecendo a velocidade de correção da hipernatremia; o alvo de queda de 8–10 mEq/L/dia na forma crônica vem de consenso e de extrapolação, e coortes recentes em pacientes críticos não associaram correção mais rápida que 0,5 mEq/L/h a maior mortalidade, convulsão ou alteração do nível de consciência — em várias delas a correção lenta é que se associou a pior desfecho. As vazões desta página são calculadas a partir da fórmula, não retiradas de protocolo publicado, e devem ser refeitas pela dosagem seriada de sódio.

Baixar no máximo 10 mEq/L em 24 h — o edema cerebral é o espelho da desmielinização
na crônica a pressa causa convulsão; na aguda documentada dá para correr mais
Crônica ou de tempo indeterminado (a regra): máximo 10 mEq/L em 24 h — muitos serviços usam 8 como alvo de segurança
Osmolaridade efetiva acompanhar a queda
Aguda documentada (< 48 h: erro de preparo de fórmula, ingestão de sal, diabetes insípido agudo): pode-se corrigir mais rápido, porque o cérebro ainda não gerou osmóis idiogênicos
Sódio de 4/4–6/6 h no início; espaçar quando o ritmo estiver estável
Caiu rápido demais? Reduzir o aporte de água livre e reavaliar — vigiar rebaixamento e convulsão, que aqui significam edema cerebral
Por quê & armadilhas

O cérebro que conviveu dias com sódio de 165 fabricou solutos intracelulares para não murchar. Se a água entra rápido, esses osmóis seguram água dentro do neurônio e o resultado é edema cerebral — convulsão e rebaixamento no meio da "melhora laboratorial". É a imagem espelhada da desmielinização da hiponatremia, e tem a mesma origem: velocidade.

A exceção é a hipernatremia genuinamente aguda, de horas. Ali o cérebro ainda não se adaptou, e a correção rápida é segura — mas "aguda" precisa ser documentada, não presumida.

Adrogué HJ, Madias NE. Hyponatremia · Hypernatremia. N Engl J Med. 2000;342(21):1581–1589 e 2000;342(20):1493–1499.
Diabetes insípido, diurese osmótica e o copo fora de alcance
sem tratar a causa, o sódio volta a subir na semana seguinte
Acesso à água: prescrever água pela sonda em horários fixos (ex.: 200 mL 4/4 h, ajustado ao déficit e ao balanço) — no acamado, isso é prescrição, não cuidado de enfermagem
Diabetes insípido central: desmopressina conforme protocolo e endocrinologia — a dose varia com a via e a apresentação
Diabetes insípido nefrogênico: retirar o agente (lítio, hipercalcemia, hipocalemia) · tiazídico e restrição de sal têm papel, com nefrologia
Diurese osmótica: controlar a glicemia, revisar manitol e a carga proteica da dieta enteral
Revisar o que entra: soro salino em excesso, bicarbonato, antibiótico com sódio alto e nutrição hiperosmolar somam sal que ninguém contabiliza
Por quê & armadilhas

A hipernatremia hospitalar tem uma característica desconfortável: ela costuma ser adquirida no hospital. O paciente entra com sódio normal, é sedado ou intubado, perde o acesso à água, recebe soro salino e nutrição hiperosmolar, e sai da primeira semana com 155. É um marcador de cuidado, não só de doença.

Por isso o item mais eficaz desta página talvez seja o mais banal: água em horário fixo pela sonda, escrita na prescrição com volume e intervalo, do mesmo jeito que se escreve um antibiótico. O raciocínio de mecanismo e o fluxograma estão na página de sódio do Nefro Guide.

Adrogué HJ, Madias NE. Hyponatremia · Hypernatremia. N Engl J Med. 2000;342(21):1581–1589 e 2000;342(20):1493–1499.
Dieta
a primeira linha da prescrição que todo mundo escreve no automático
Dieta conforme o quadro — via oral se desperta, deglute e não há procedimento previsto · zero se rebaixado, instável ou com via aérea em risco, reavaliando cedo · sonda enteral se o jejum passar de 48–72 h
Jejum tem data e hora — escrever o motivo e quando reavaliar. "Jejum" sem prazo vira desnutrição de terceira semana
Disfagia: triagem antes da primeira colher em qualquer rebaixamento, AVC ou pós-extubação — falhou, sonda; a medicação também passa por ela
Por quê & armadilhas

O jejum prolongado é a prescrição mais barata de escrever e uma das mais caras de sustentar: cada dia sem aporte custa massa muscular num paciente que vai precisar dela para desmamar, sentar e andar. A pergunta de visita não é "está em jejum?", é "por que ainda está, e até quando?".

Cuidados de enfermagem — a rotina que evita a segunda doença
decúbito, pele, cabeceira e oxigênio: o que não aparece na evolução até virar problema
Sinais vitais e rotina de UTI 2/2 h (espaçar conforme estabilidade) · balanço hídrico e diurese registrados
Cabeceira 30–45° — reduz aspiração e pneumonia associada à ventilação · abaixar só com motivo escrito (choque, procedimento)
Mudança de decúbito 2/2 h + avaliação diária da pele nas proeminências (sacro, calcâneo, occipital, trocânter) · colchão de redistribuição de pressão no imóvel
Curativos inspecionados por turno; datar a troca · higiene oral com antisséptico no intubado · olhos lubrificados no sedado
Fisioterapia — fisioterapia motora e respiratória desde o primeiro dia, conforme tolerância
Oxigênio conforme necessidade: SpO₂ 90–96% na maioria dos adultos · 88–92% se houver DPOC ou risco de hipercapnia. Oxigênio é droga: tem alvo, tem dose e tem excesso
Por quê & armadilhas

Estes itens não competem com a doença principal — eles decidem se o paciente sai da UTI com a doença resolvida e o corpo inteiro, ou resolvido e com uma lesão por pressão em sacro que vai custar meses. Lesão por pressão, pneumonia por aspiração e fraqueza adquirida na UTI são as três complicações que a prescrição previne com linhas que ninguém lê.

A cabeceira elevada é o exemplo perfeito: é gratuita, tem efeito documentado sobre pneumonia associada à ventilação, e é a primeira coisa que se perde quando o leito é abaixado para um procedimento e ninguém sobe de volta.

Profilaxia de úlcera de estresse — só com indicação
não é carimbo de internação: sem fator de risco, o dano supera o benefício
Com indicação: inibidor de bomba de prótons — omeprazol ou pantoprazol 40 mg EV ou VO 1×/dia, conforme padronização do serviço
Reavaliar a indicação todo dia — ela costuma sumir antes da alta da UTI, e a prescrição costuma continuar.
O preço de prescrever sem indicação: mais pneumonia associada à ventilação, mais C. difficile, e a prescrição crônica que sai junto na receita de alta
Há indicação de profilaxia? fator maior ou 2 menores
Por quê & armadilhas

Os dois fatores de risco independentes clássicos vêm do estudo de Cook: ventilação mecânica prolongada e coagulopatia. Fora deles, o sangramento clinicamente importante é raro o suficiente para que o dano da supressão ácida — pneumonia e colite por C. difficile — comece a pesar mais.

A armadilha real não é começar, é não parar. A indicação some quando o paciente extuba e a coagulação normaliza; a prescrição, não. É assim que um inibidor de bomba iniciado numa UTI vira uso crônico de anos, com a hipomagnesemia que ele causa aparecendo lá na frente, sem que ninguém ligue os dois.

Cook DJ, Fuller HD, Guyatt GH, et al. Risk factors for gastrointestinal bleeding in critically ill patients. N Engl J Med. 1994;330(6):377–381 — os dois fatores independentes. Os fatores menores vêm de consensos posteriores; não há escore validado único.
Profilaxia de TEV — pelo risco, não pelo tempo de internação
"internou, prescreve" é o erro nos dois sentidos: sobra em quem não precisa e falta em quem precisa
Farmacológica, com indicação e sem sangramento: enoxaparina 40 mg SC 1×/dia · ClCr < 30: enoxaparina 20 mg SC 1×/dia ou HNF 5.000 UI SC 8/8–12/12 h, conforme protocolo
Mecânica (compressão pneumática intermitente) quando a farmacológica está contraindicada — sangramento ativo, plaquetopenia grave, pós-operatório neurocirúrgico recente — ou somada a ela no altíssimo risco
Não somar profilaxia a quem já está em anticoagulação plena — é dose dupla sem ganho
Individualizar sempre: o escore diz se há indicação, não se este paciente deve receber.
Escore de Pádua calcular o risco de TEV
Por quê & armadilhas

O escore de Pádua foi construído justamente para separar quem se beneficia de quem só recebe: no estudo original, os pacientes de alto risco sem profilaxia tiveram cerca de 11% de TEV, contra pouco mais de 2% nos de baixo risco. É essa diferença que justifica prescrever — e que explica por que prescrever para todo mundo dilui o benefício e soma sangramento.

Duas armadilhas de plantão. A primeira é a dose fixa em quem não a comporta: no ClCr abaixo de 30 a enoxaparina acumula, e a dose profilática vira quase terapêutica. A segunda é a soma silenciosa — o paciente que já recebe heparina plena por outro motivo e ganha mais 40 mg de enoxaparina porque "está internado".

Barbar S, Noventa F, Rossetto V, et al. A risk assessment model for the identification of hospitalized medical patients at risk for venous thromboembolism: the Padua Prediction Score. J Thromb Haemost. 2010;8(11):2450–2457.

O que não prescrever

Erros que pioram o desfecho.

Corrigir mais de 10 mEq/L em 24 h na crônica — edema cerebral. Água livre EV sem calcular o déficit ("um SG 5% de manutenção" não move o sódio). Esquecer a perda contínua — repor só o déficit deixa o sódio parado. SG 5% em bolus rápido — hiperglicemia e diurese osmótica pioram o quadro. Tratar o número e devolver o paciente à mesma cama sem água ao alcance.

Prescreveu — e agora?

A reconciliação diária é a rotina que resolve: sódio, balanço hídrico, diurese e a conta do déficit refeita com o peso atual. Se o paciente está poliúrico com urina diluída, a pergunta vira diabetes insípido — e aí entra a endocrinologia. O mecanismo completo está na página de sódio e no fluxograma.

Levar o caso ao assistente de conduta
Adrogué HJ, Madias NE. Hyponatremia · Hypernatremia. N Engl J Med. 2000;342(21):1581–1589 e 2000;342(20):1493–1499. Spasovski G, Vanholder R, Allolio B, et al. Clinical practice guideline on diagnosis and treatment of hyponatraemia. Nephrol Dial Transplant. 2014;29(Suppl 2):i1–i39. Concentrações, mEq por ampola e vazões calculados em scripts/calc-dhe.mjs a partir das apresentações brasileiras usuais — conferir a da sua farmácia.