Procedimentos — Via aérea

Via Aérea Difícil

Preditores (LEMON), algoritmo DAS, CICO e cricotireoidotomia de emergência — técnica scalpel-finger-bougie.

AlgoritmoDAS 2015
TentativasMáximo 3
Resgate CICOCricotireoidotomia

Via aérea difícil antecipada permite preparo; via aérea difícil não antecipada é a emergência real. O princípio central: limite o número de tentativas (máximo 3), chame ajuda cedo e execute o algoritmo sem hesitar. Mais tentativas = mais sangramento, mais edema, mais impossível.

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Preditores de via aérea difícil — LEMON

LetraCritérioSinal de alerta
LLook externallyObesidade, barba espessa, trauma facial, macroglossia, retrognátia
EEvaluate 3-3-2Abertura bucal < 3 dedos; mento-hioide < 3 dedos; hioide-tireóide < 2 dedos
MMallampatiClasse III ou IV
OObstructionEstridor, tumor, abscesso, angioedema
NNeck mobilityColar cervical, artrite grave, espondilite anquilosante
02

Algoritmo DAS — via aérea difícil não antecipada

Plano A Laringoscopia direta + otimização: BURP, posição ramped, bougie. Máximo 3 tentativas. Se falhar → Plano B imediatamente. Não persistir.
Plano B Videolaringoscópio ou dispositivo supraglótico (máscara laríngea i-gel ou LMA). Se o videolaringoscópio falhar: passar o TOT pelo dispositivo supraglótico (via supraglótica como ponte). Ventilar e oxigenar enquanto decide o próximo passo.
Plano C Ventilação com máscara facial a 2 mãos + adjuvantes (cânula de Guedel, cânula nasofaríngea). Se mantiver SpO₂ ≥ 90%: acorde o paciente, reagende com especialista. Se não consegue ventilar: CICO → Plano D.
Plano D — CICO Can't intubate, can't oxygenate → cricotireoidotomia de emergência. Não hesitar. Cada minuto de SpO₂ < 80% = lesão neurológica progressiva.
Frerk C et al. Difficult Airway Society 2015 guidelines for management of unanticipated difficult intubation in adults. Br J Anaesth 115(6):827–848, 2015. PMC4650961 Difficult Airway Management in the Intensive Care Unit: A Narrative Review. J Clin Med 2025. PMC12295989
03

Cricotireoidotomia de emergência (técnica scalpel-finger-bougie)

Técnica recomendada pelo DAS para o cenário CICO. Simples, rápida (< 30 s com treino), usa material universal. A técnica com agulha tem taxa de falha muito maior — não é recomendada como primeira opção na DAS 2015.

  1. 1Identificar a membrana cricotireoidea com o polegar e indicador da mão não dominante. Estabilizar a laringe.
  2. 2Incisão horizontal de ~1,5 cm no centro da membrana com bisturi lâmina 10 ou 20.
  3. 3Introduzir o dedo indicador no orifício para confirmar a traqueia e dilatar levemente.
  4. 4Introduzir o bougie pelo orifício, direcionando para baixo (em direção à carina).
  5. 5Deslizar TOT 6,0 sobre o bougie. Insuflar o cuff, conectar ao VM. Confirmar com capnografia.
Emergency front of neck access in airway management. Br J Anaesth 2021. PMC7807984 Cricothyrotomy in unanticipated difficult intubation cases. PMC 2024. PMC11008948
O erro mais documentado no CICO (NAP4): Atraso na decisão de cricotireoidotomia — o operador continua tentando intubar enquanto a SpO₂ cai. Quando finalmente decide, o paciente já tem lesão hipóxica ou está em PCR. Defina antes do procedimento qual é o seu gatilho para CICO e respeite-o.
Cook TM et al. Major complications of airway management in the UK: results of the 4th National Audit Project (NAP4). Br J Anaesth 106(5):617–631, 2011. PMID: 21447489