Via Aérea Difícil
Preditores (LEMON), algoritmo DAS, CICO e cricotireoidotomia de emergência — técnica scalpel-finger-bougie.
Via aérea difícil antecipada permite preparo; via aérea difícil não antecipada é a emergência real. O princípio central: limite o número de tentativas (máximo 3), chame ajuda cedo e execute o algoritmo sem hesitar. Mais tentativas = mais sangramento, mais edema, mais impossível.
Preditores de via aérea difícil — LEMON
| Letra | Critério | Sinal de alerta |
|---|---|---|
| L | Look externally | Obesidade, barba espessa, trauma facial, macroglossia, retrognátia |
| E | Evaluate 3-3-2 | Abertura bucal < 3 dedos; mento-hioide < 3 dedos; hioide-tireóide < 2 dedos |
| M | Mallampati | Classe III ou IV |
| O | Obstruction | Estridor, tumor, abscesso, angioedema |
| N | Neck mobility | Colar cervical, artrite grave, espondilite anquilosante |
Algoritmo DAS — via aérea difícil não antecipada
Cricotireoidotomia de emergência (técnica scalpel-finger-bougie)
Técnica recomendada pelo DAS para o cenário CICO. Simples, rápida (< 30 s com treino), usa material universal. A técnica com agulha tem taxa de falha muito maior — não é recomendada como primeira opção na DAS 2015.
- 1Identificar a membrana cricotireoidea com o polegar e indicador da mão não dominante. Estabilizar a laringe.
- 2Incisão horizontal de ~1,5 cm no centro da membrana com bisturi lâmina 10 ou 20.
- 3Introduzir o dedo indicador no orifício para confirmar a traqueia e dilatar levemente.
- 4Introduzir o bougie pelo orifício, direcionando para baixo (em direção à carina).
- 5Deslizar TOT 6,0 sobre o bougie. Insuflar o cuff, conectar ao VM. Confirmar com capnografia.
Reconhecer antes muda a preparação inteira: a sequência do procedimento passa a ter plano B montado antes da primeira tentativa, e a escolha do indutor passa a pesar também a possibilidade de o paciente voltar a respirar. Conseguida a via aérea, valem os mesmos parâmetros iniciais de sempre.
Levar o caso ao assistente de conduta