IOT / RSI
Intubação orotraqueal em sequência rápida — os 7 P, indutores, bloqueadores neuromusculares e confirmação de posição.
A RSI (rapid sequence intubation) é o padrão para intubação de emergência no adulto: indução anestésica + bloqueio neuromuscular simultâneos para obter condições de intubação em < 60 segundos, com mínimo risco de aspiração. Na UTI, a maioria das intubações é de urgência — planejar é prevenir complicações.
Indicações de IOT
Material — checklist pré-IOT
Os 7 P da RSI
Reunir material, checar aspirador, configurar VM, preparar drogas, ter vasopressor à mão. Definir o plano A (laringoscopia direta), plano B (videolaringoscópio ou bougie) e plano C (via aérea cirúrgica). Comunicar a equipe.
Pescoço levemente fletido + cabeça em extensão no atlanto-occipital. Alinha eixos oral, faríngeo e laríngeo. Coxim de 7–10 cm sob a cabeça.
Cabeceira a 20–30°, meato auditivo externo alinhado horizontalmente com o esterno. Aumenta a capacidade residual funcional, prolonga o tempo de apneia segura e melhora a visibilidade glótica.
Meta: SpO₂ ≥ 95% (idealmente 100%) antes da indução. Denitrogenação alveolar cria reserva de O₂ que tolera 3–8 min de apneia em adulto saudável; muito menos no crítico.
FiO₂ 0,85–0,9. 3–5 min de respiração espontânea. Padrão para quem consegue ventilar adequadamente.
Preferível em hipoxemia grave (P/F < 150). Mantém recrutamento alveolar. 3–5 min a FiO₂ 1,0 e PEEP 5–8 cmH₂O.
Pode ser mantida durante a laringoscopia (apneic oxygenation / NODESAT). Fluxo 40–70 L/min prolonga o tempo de apneia segura — especialmente útil no obeso e no crítico.
Indutor e bloqueador neuromuscular administrados em sequência rápida. Sem ventilação com máscara entre as duas drogas (risco de insuflar estômago e aspiração).
Indutores| Droga | Dose | Perfil | Quando usar / evitar |
|---|---|---|---|
| Ketamina | 1–2 mg/kg IV | Broncodilatadora, mantém tônus simpático, analgésica. Não deprime o drive respiratório em doses únicas. | ✓ 1ª escolha na UTI: choque, broncoespasmo, asma. Evitar em HIC grave (aumenta PIC) — evidência mais recente questiona isso, mas incerteza persiste. |
| Etomidato | 0,3 mg/kg IV | Hemodinamicamente neutro. Inibe 11β-hidroxilase → supressão adrenal por 12–24h após dose única. | ✓ Instabilidade hemodinâmica grave quando ketamina não disponível. Evitar em sepse (supressão adrenal aumenta mortalidade em meta-análises recentes). |
| Propofol | 1–2 mg/kg IV | Rápido, curta duração. Hipotensor por vasodilatação e depressão miocárdica. | ✓ Paciente hemodinamicamente estável, sem choque. Evitar em instáveis — queda de PA é frequente e relevante. |
| Midazolam | 0,1–0,3 mg/kg IV | Início lento (2–3 min). Hipotensor. Sem analgesia. | Evitar como indutor único para RSI. Se usado: combinar com opioide. |
| Droga | Dose RSI | Onset | Duração | Reversor |
|---|---|---|---|---|
| Succinilcolina | 1,5 mg/kg IV | 45–60 s | 8–12 min | Não tem (despolarizante — metabolismo plasmático) |
| Rocurônio | 1,2 mg/kg IV | 60–90 s | 45–75 min | Sugamadex 16 mg/kg (reverte em < 3 min) |
- Queimadura > 24–72h (não usar até 2 anos após)
- Lesão muscular extensa / síndrome de imobilização prolongada (> 5–7 dias)
- Lesão neurológica com plegia (AVE, LM, Guillain-Barré) > 24–72h
- Miopatias, distrofia muscular
- Hipercalemia conhecida
- Hipertermia maligna ou história familiar
- 1Aguardar 45–60 s após o bloqueador neuromuscular (fasciculações cessam). Abrir a boca com técnica tesoura (polegar sobre molar inferior, indicador sobre superior), inserir o laringoscópio pela comissura labial direita deslocando a língua para a esquerda.
- 2Lâmina curva (Macintosh): encaixar a ponta na vallécula (espaço entre base da língua e epiglote) e elevar em direção ao teto — não bascular. Visualizar as cordas vocais.
- 3Se visualização difícil: manobra BURP (Backward-Upward-Right Pressure) sobre a laringe, ou trocar para videolaringoscópio. Nunca aplicar força excessiva — lesão de dentes e tecidos moles.
- 4Inserir o TOT com o cuff passando ~3 cm abaixo das cordas. Profundidade padrão: 23 cm na comissura labial para homens, 21 cm para mulheres. Insuflar o cuff.
- 5Retirar o guia/bougie se usado. Conectar ao VM.
O que não fazer
- Não pré-oxigenar adequadamente → dessaturação na primeira tentativa
- Hipotensão pós-indução por não ter vasopressor pronto → PCR por hipoperfusão coronariana
- Confirmar posição só com ausculta → intubação esofágica não diagnosticada
- Não checar o cuff antes de usar → perde o cuff na hora de insuflar
- Tentar múltiplas vezes sem trocar de estratégia → sangramento, edema e via aérea impossível
- Usar succinilcolina em paciente queimado ou com plegia subaguda → PCR por hipercalemia