Dreno Torácico
Toracostomia com dreno — indicações, técnica por dissecção romba e Seldinger (pigtail), gestão e complicações.
Inserção de tubo na cavidade pleural para drenagem contínua. Indicado quando a toracocentese simples é insuficiente — pneumotórax, hemotórax, empiema, derrame maligno de alto débito. Existem duas técnicas principais: dissecção romba (dreno de grande calibre, padrão em trauma) e Seldinger (dreno fino de pigtail, guiado por USG, preferível na UTI eletiva).
Indicações
Pneumotórax aberto (primeiro ocluir, depois drenar)
Hemotórax volumoso (≥ 300–500 mL)
Pneumotórax em VM
Empiema / derrame parapneumônico complicado
Quilotórax
Derrame maligno recorrente (com ou sem pleurodese)
Material
Técnica — dissecção romba (dreno de grande calibre)
- 1Posicionar: decúbito dorsal com o braço ipsilateral abduzido acima da cabeça (expõe a axila). Confirmar o lado com USG.
- 2Antissepsia ampla (incluir a axila) + campo estéril. Anestesia local generosa: infiltrar pele, subcutâneo, músculos intercostais e pleura parietal. Aspirar ao avançar para confirmar o espaço.
- 3Incisão horizontal de 2–3 cm no 5° espaço intercostal, acima da borda superior da 6ª costela.
- 4Dissecção romba com a Kelly fechada, progredindo pelo subcutâneo e músculo intercostal. Abrir a Kelly ao perfurar a pleura — sentirá "pop" e saída de ar ou líquido.
- 5Exploração digital do espaço pleural — confirma que não há aderências, pulmão ou diafragma na trajetória. Sempre antes de inserir o dreno.
- 6Introduzir o dreno com a pinça guiando a ponta, direcionado póstero-superiormente para derrame ou ântero-superiormente para pneumotórax. Inserir até o último orifício lateral estar dentro da cavidade.
- 7Conectar ao sistema de selo d'água. Confirmar funcionamento: oscilação da coluna d'água com a respiração (tidaling) e saída de ar ou líquido.
- 8Fixar com sutura em bolsa de tabaco ou U ao redor do dreno. Curativo oclusivo. Rx de tórax para confirmar posição.
Técnica — Seldinger (pigtail, preferível na UTI eletiva)
- 1USG para marcar sítio (mesmo princípio da toracocentese). Técnica guiada por imagem em tempo real reduz complicações.
- 2Anestesia local. Punção com agulha introdutora aspirando continuamente.
- 3Ao retornar líquido/ar, introduzir o fio-guia pela agulha. Retirar a agulha mantendo o fio.
- 4Pequena incisão na pele + dilatadores progressivos sobre o fio.
- 5Introduzir o cateter pigtail sobre o fio, remover o fio, conectar ao sistema de drenagem.
- 6Confirmar posição com USG ou Rx.
Gestão do dreno
- Aspiração ativa (−20 cmH₂O): Indicada em pulmão que não expande, fístula broncopleural de alto débito ou empiema espesso
- Selo d'água sem aspiração: Padrão para a maioria dos pneumotórax e derrames não complicados
- Clampeamento: Só para testar antes de retirar. Nunca clampar em pneumotórax ativo ou fístula broncopleural — risco de pneumotórax hipertensivo
- Retirada: Quando débito < 100–200 mL/24h (derrame) ou ausência de borbulhamento por 24–48h (pneumotórax). Retirar em expiração máxima ou apneia. Comprimir e suturar imediatamente
Pitfalls
- Inserir abaixo da 6ª costela → risco de laceração diafragmática e órgãos abdominais
- Não fazer exploração digital → inserção em aderência ou pulmão
- Clampar dreno em pneumotórax ativo → pneumotórax hipertensivo
- Último orifício fora da cavidade → sucção de ar externo (sinal: borbulhamento constante sem melhora)
- Não fixar bem → deslocamento do dreno com a movimentação do paciente
Dreno no lugar não encerra a investigação: o líquido continua tendo que ser caracterizado para dizer o que causou a coleção. No paciente ventilado, vale reavaliar se os parâmetros ainda servem depois da reexpansão — e o barotrauma que levou ao dreno é complicação da ventilação, então a causa está lá, não aqui.
Levar o caso ao assistente de conduta