Antimicrobianos · Cenários por foco

Colite por Clostridioides difficile

Diagnóstico, vancomicina oral versus fidaxomicina e o manejo do caso grave

Antes de prescrever.

As condutas desta página seguem as diretrizes de referência e não substituem o protocolo do seu serviço, a padronização da farmácia nem a avaliação da infectologia. Confira dose, ajuste renal e sensibilidade local antes de cada prescrição. A dose e o ajuste por ClCr de cada droga estão em PK/PD e dose.

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Diagnóstico e gravidade

A colite por Clostridioides difficile se define por diarreia (três ou mais evacuações amolecidas em 24 h) com teste de toxina ou PCR positivo — sem diarreia não se trata colonização. A gravidade decide a droga e a via.

GravidadeComo reconhecerConduta
Não grave Leucócitos abaixo de 15.000 e creatinina abaixo de 1,5 mg/dL. Fidaxomicina ou vancomicina oral, pelo mesmo esquema da forma grave.
Grave Leucócitos de 15.000 ou mais, ou creatinina de 1,5 mg/dL ou mais. Fidaxomicina 200 mg VO de 12/12 h por 10 dias (preferencial), ou vancomicina 125 mg VO de 6/6 h por 10 dias. Metronidazol 500 mg VO de 8/8 h só se as duas primeiras não estiverem disponíveis, e apenas na forma não grave.
Fulminante Hipotensão ou choque, íleo ou megacólon tóxico. Vancomicina 500 mg VO ou por sonda de 6/6 h + metronidazol 500 mg IV de 8/8 h. Com íleo, some vancomicina em enema retal. Avaliação cirúrgica urgente (colectomia ou ileostomia com lavagem).
Primeira recorrência Retorno dos sintomas em até 8 semanas do fim do tratamento. Fidaxomicina (10 dias ou esquema pulsado estendido), ou vancomicina em esquema de redução e pulso se o episódio inicial já foi com vancomicina. Considere bezlotoxumabe como adjuvante para reduzir nova recorrência.
Recorrências múltiplas Duas ou mais recorrências. Vancomicina em redução e pulso, vancomicina seguida de rifaximina, fidaxomicina, ou transplante de microbiota fecal — a opção com maior taxa de cura nesse cenário.
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O que decide o desfecho, além da droga

Três gestos pesam tanto quanto o antibiótico: suspender o antibiótico desencadeante assim que possível — ele é o gatilho e a razão da recaída; não usar antimotilidade (loperamida, opioides), que favorece o íleo e o megacólon; e isolamento de contato com higiene das mãos com água e sabão, porque o álcool-gel não mata o esporo. A fidaxomicina passou a ser preferencial nas diretrizes de 2021 por poupar a microbiota do cólon e recorrer menos que a vancomicina; o metronidazol, antes de primeira linha, caiu para terceira — só quando não há acesso às outras.

Johnson S, Lavergne V, Skinner AM, et al. Clinical practice guideline by the Infectious Diseases Society of America (IDSA) and Society for Healthcare Epidemiology of America (SHEA): 2021 focused update guidelines on management of Clostridioides difficile infection in adults. Clin Infect Dis. 2021;73(5):e1029–e1044.