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Tromboembolismo pulmonar

O TEP não tem uma prescrição — tem várias, e quem escolhe é a categoria: quem vai para casa com DOAC, quem interna anticoagulado, quem já pisca hemodinamicamente e quem trombolisa agora.

Serve para o TEP agudo confirmado (ou com probabilidade alta o bastante para tratar enquanto se confirma). A primeira pergunta não é "qual heparina" — é "em que categoria este paciente está?": é isso que decide alocação (casa, enfermaria, UTI), anticoagulante e se a terapia avançada entra em cena. A AHA/ACC 2026 trocou massivo/submassivo e o quarteto da ESC por cinco categorias, A a E, e esta página foi reescrita nelas.

Antes de prescrever qualquer item desta página.

As doses seguem a diretriz de TEP da AHA/ACC 2026 (com a ESC 2019 onde ela ainda acrescenta) e não substituem o protocolo do seu serviço nem a padronização da farmácia. Atenção especial à HNF: circula por aí tabela de SCA (60 U/kg + 12) colada em capítulo de TEP — no TEV o esquema clássico é outro (80 U/kg + 18).

Como usar.

A ordem é a do raciocínio: categorizar, anticoagular pelo caminho certo, e reservar suporte agressivo e terapia avançada para quem precisa. As classes de recomendação aparecem nas referências de cada item — razoável, pode ser considerada e dano não são sinônimos. Dose sempre visível; o porquê em "por quê & armadilhas".

Item por item

Classificar em categoria A–E — a "prescrição" que aloca o paciente
a AHA/ACC 2026 aposentou massivo/submassivo e o quarteto da ESC; agora são 5 categorias com subcategorias
A · assintomático — TEP incidental achado em TC pedida por outro motivo, sem suspeita clínica prévia (A1 = subsegmentar) → alta do PS, não interna
Wells para TEP probabilidade pré-teste
B · sintomático, escore baixo — PESI ≤ 85 ou sPESI 0 ou Hestia < 1 ou Bova ≤ 4 (B1 subsegmentar · B2 segmentar ou mais proximal) → alta precoce com DOAC
sPESI entra na categoria A–E PESI completo classes I–II = candidato à categoria B
C · sintomático, escore elevado — PESI > 85 ou sPESI ≥ 1 ou Hestia ≥ 1 ou Bova > 4. As subcategorias sobem conforme aparece disfunção cardiopulmonar: troponina/BNP e VD alterado (eco ou TC) → internar
D · pré-falência cardiopulmonarD1: hipotensão transitória ou recorrente que cede a volume, sem má perfusão · D2: a mesma hipotensão + um marcador de má perfusão → UTI
E · falência cardiopulmonarE1: hipotensão persistente com choque cardiogênico (SCAI C) · E2: choque refratário (SCAI D–E) ou PCR sem retorno de circulação após 30 min de reanimação
Modificador R (respiratório) — cola na subcategoria (ex.: C3R, D2R): em C é hipoxemia, taquipneia ou necessidade de O₂; em D é > 6 L/min em cateter nasal ou máscara não reinalante; em E é necessidade de VNI ou ventilação invasiva
Definições que a categoria usahipotensão: PAS < 90 ou queda > 40 mmHg durando < 15 min ou que responde a volume · prova de volume: 500–1000 mL de SF · má perfusão: lactato > 2, LRA, diurese < 0,5 mL/kg/h, alteração do sensório, índice cardíaco < 2,2, PAM < 60 ou piora do estágio de choque
Por quê & armadilhas

O espectro do TEP vai do paciente que podia ter ido para casa ao que morre na próxima hora — tratar os dois igual erra nos dois sentidos: interna (e às vezes sangra) quem não precisava, e subestima o que descompensa na enfermaria sem monitor.

A classificação nova existe porque as antigas embrulhavam gente diferente no mesmo pacote. "Submassivo" e "intermediário-alto" juntavam o paciente com troponina positiva e VD normal ao que já estava com lactato subindo e pressão oscilando — e a evidência de trombólise nesses dois é oposta. As categorias A–E separam três coisas que a ESC misturava: quem tem escore de gravidade elevado (C), quem já pisca hemodinamicamente mas ainda compensa (D, o "choque normotenso"), e quem falhou (E). A categoria D é a novidade que mais muda plantão: é o paciente que a régua antiga chamava de estável, e que hoje tem indicação formal de considerar terapia avançada.

O modificador R resolve a outra lacuna: o TEP que mata por hipoxemia, não por choque. Antes ele não tinha onde ser registrado. E a categoria não é carimbo — o paciente migra entre categorias conforme é reavaliado, e a designação segue sempre o achado mais grave.

AHA/ACC 2026 — AHA/ACC Acute PE Clinical Categories (Figura 2); categoria A tem alta do PS e categoria B tem alta precoce (mensagens 2 e 3) · ESC 2019 (classificação anterior, ainda vigente na Europa).
Estável: DOAC — com a fase de ataque que não pode faltar
DOAC ganha da varfarina em todo mundo que pode tomar oral (Classe 1); categoria A vai para casa do PS, categoria B tem alta precoce
Rivaroxabana 15 mg VO 12/12 h por 21 dias → 20 mg 1×/dia (com alimento)
Apixabana 10 mg VO 12/12 h por 7 dias → 5 mg 12/12 h
Dabigatrana 150 mg 12/12 h ou edoxabana 60 mg 1×/dia (30 mg se peso ≤ 60 kg ou ClCr 15–50) — ambas só após ≥ 5 dias de heparina parenteral
Duração mínima do tratamento: 3 meses — estender é decisão de ambulatório (provocado × não provocado × câncer)
Por quê & armadilhas

A armadilha do DOAC no TEV é pular a fase de ataque: rivaroxabana que começa direto em 20 mg ou apixabana em 5 mg trata o rótulo, não o trombo — as doses dobradas das primeiras semanas fazem o papel da heparina dos esquemas antigos. O contrário também confunde: dabigatrana e edoxabana não têm fase oral de ataque e exigem os 5 dias de heparina antes. São dois desenhos de estudo diferentes — misturá-los gera subdose ou heparina desnecessária.

AHA/ACC 2026 — anticoagular todo TEP sem contraindicação absoluta (Classe 1, B-R); DOAC sobre antagonista da vitamina K (Classe 1, B-R; mensagem 8); alta domiciliar na categoria A e alta precoce na B (mensagens 2 e 3) · EINSTEIN-PE · AMPLIFY · RE-COVER · Hokusai-VTE.
Internado: HBPM é a preferida — inclusive no grave
a AHA/ACC 2026 inverteu o reflexo antigo: enoxaparina ganha da HNF nas categorias C1 a E1
Enoxaparina 1 mg/kg SC 12/12 h · alternativa 1,5 mg/kg 1×/dia · ClCr 15–29: 1 mg/kg 24/24 h · ClCr < 15: HNF · IMC > 40: considerar reduzir a dose
HNF EV — reservada a quem precisa desligar rápido (trombólise ou procedimento iminente), a ClCr < 15, e ao paciente em E2/ECMO: bolus 80 U/kg → infusão 18 U/kg/h, TTPa 6/6 h no alvo 1,5–2,5× (nomograma de Raschke) · sem bomba disponível: HNF SC 333 U/kg → 250 U/kg 12/12 h
Fondaparinux SC 1×/dia por peso: < 50 kg → 5 mg · 50–100 kg → 7,5 mg · > 100 kg → 10 mg (não usar se ClCr < 30; opção na suspeita de HIT)
Imagem atrasada? Na suspeita de TEP em categoria C2 ou acima com risco de sangramento baixo, anticoagular antes de confirmar
Por quê & armadilhas

A mudança de 2026 que mais contraria o hábito: "paciente grave = heparina não fracionada em bomba" deixou de ser a regra. A AHA/ACC recomenda HBPM sobre HNF em quem precisa de anticoagulante parenteral inicial — categorias C1 a E1 — porque a HBPM reduziu recorrência de TEV e sangramento maior. A HNF sobrevive por motivos práticos, não por potência: quando pode ser preciso desligar em minutos (trombólise, cateter, cirurgia), quando o rim não depura, e no paciente em ECMO. Fora isso, escolher HNF "porque é grave" troca previsibilidade por TTPa perseguido a noite inteira.

E a confusão que já saiu impressa por aí: 80 U/kg + 18 U/kg/h é a dose do TEV; 60 U/kg + 12 U/kg/h é a da SCA — no infarto anda junto trombolítico e antiplaquetário duplo, por isso a dose é menor. Colar a tabela de um no capítulo do outro subdosa o TEP.

AHA/ACC 2026 — HBPM sobre HNF nas categorias C1–E1 (Classe 1, B-R; mensagem 7) e anticoagular na suspeita C2+ com imagem indisponível (Classe 2a, C-EO); dose reduzida de HBPM no IMC > 40 (Classe 2b) · Raschke 1993 (nomograma) · ESC 2019.
Populações que mudam a escolha
câncer, rim, gestação e SAF não seguem a regra geral
Câncer ativo: apixabana (doses do item 02) ou HBPM plena · cautela com DOAC no tumor gastrointestinal/geniturinário não ressecado (sangramento) · varfarina não
Rim: ClCr < 30 → evitar rivaroxabana/dabigatrana · apixabana/edoxabana evitadas < 25 · a escolha vira HNF/HBPM ajustada → varfarina
Gestação: HBPM plena — DOAC e varfarina são contraindicados
SAF trombótica estabelecida: varfarina, INR 2–3 — recomendação Classe 1, nível A. Com apenas um anticorpo (anticardiolipina isolada ou anti-β2-glicoproteína isolada), DOAC pode ser alternativa razoável
Obesidade (IMC > 30): DOAC sobre varfarina · IMC > 40 em HBPM: considerar reduzir a dose para diminuir sangramento
Tumor cerebral primário ou metastático, se elegível a oral: DOAC pode ser preferido à HBPM — menos hemorragia intracraniana
Por quê & armadilhas

Quatro exceções que valem decorar porque cada uma inverte a primeira escolha: no câncer, o DOAC (Caravaggio) empatou com a HBPM em eficácia com menos incômodo — mas o tumor de trato digestivo sangra mais com anti-Xa oral; no rim falido, quase tudo acumula; na gestação, DOAC atravessa placenta e varfarina é teratogênica — sobra HBPM; e na SAF o TRAPS mostrou mais trombose arterial com rivaroxabana — é o raro cenário moderno em que a varfarina ganha por eficácia.

AHA/ACC 2026 — varfarina na SAF trombótica (Classe 1, A) e DOAC no anticorpo único (Classe 2b, B-R); DOAC na obesidade (Classe 2a, B-NR) e dose reduzida de HBPM no IMC > 40 (Classe 2b, B-NR); DOAC no tumor cerebral (Classe 2b, C-LD) · Caravaggio (NEJM 2020) · TRAPS · ESC 2019.
Varfarina — quando for ela, com a ponte certa
rim falido, SAF, custo/acesso — sempre com sobreposição de heparina
Varfarina 5 mg VO 1×/dia (2,5 mg se idoso > 70, hepatopatia, interação com amiodarona) + enoxaparina 1 mg/kg 12/12 h juntas · INR a partir do 2º–3º dia · suspender a heparina só com INR 2–3 por 2 medidas E ≥ 5 dias de sobreposição · alvo INR 2–3
Por quê & armadilhas

A varfarina começa pró-trombótica: ela derruba a proteína C antes dos fatores da coagulação, e por isso os primeiros dias sem heparina são os mais perigosos. A regra tem duas condições simultâneas — INR no alvo e cinco dias de sobreposição — e quem solta a heparina no primeiro INR 2,1 do terceiro dia cumpriu só metade dela.

Diretrizes de TEV — transição heparina→varfarina.
Sustentar o VD — vasopressor no choque, volume contado, sedação como ameaça
o ventrículo direito falindo é a causa da morte no TEP — e ele não perdoa excesso
Vasopressor e/ou inotrópico no choque (categorias D2 a E2) — para restaurar débito e perfusão sistêmica
Noradrenalina alvo PAM ≥ 65 mmHg · diluição padrão da casa: 16 mg (4 amp de 4 mg) em 250 mL de SG 5% = 64 μg/mL · começar 0,01–0,05 μg/kg/min e titular a cada 2–5 min · referência de vazão: 70 kg a 0,1 μg/kg/min = 6,6 mL/h · tabela completa nas drogas vasoativas, fonte única do site
Dobutamina ou milrinona apenas se o débito seguir baixo após corrigir a volemia e restaurar a PA — não "sempre associada"; a milrinona acumula na disfunção renal
Volume só com pré-carga baixa suspeitada (categorias D1–D2): prova de 500–1000 mL de SF, reavaliando entre alíquotas — VD dilatado piora com volume
Vasodilatador pulmonar inalatório (óxido nítrico, prostaciclina) pode ser considerado de C2 a E para reduzir pós-carga do VD — onde houver
O₂: na hipoxemia moderada a grave, cateter nasal de alto fluxo ganha do cateter comum
Sedação e intubação são o momento mais perigoso — nas categorias C a E, não fazer sedação profunda nem ventilação invasiva sem indicação clara; quando for inevitável, ter vasopressor, inotrópico e/ou ECMO VA prontos à beira do leito
ECMO VA no choque refratário (E2), se houver estrutura · em ECMO, manter anticoagulação parenteral na ausência de sangramento
Por quê & armadilhas

O instinto de "abrir soro" mata no TEP: o VD já está dilatado contra uma pós-carga fixa, e cada 500 mL a mais desvia o septo e rouba enchimento do VE — volume aqui é dose de remédio, não gotejo aberto. Repare que a diretriz de 2026 rebaixou o volume a "pode ser considerado", e só quando há suspeita clínica de pré-carga baixa; o vasopressor é que subiu para recomendação forte no choque. A noradrenalina faz o que o volume não faz: sobe a PA que perfunde a coronária direita do VD isquêmico.

A sedação merece o mesmo respeito que a trombólise. O VD em falência sobrevive porque o tônus simpático o segura — e quase todo sedativo desliga exatamente isso. Em série de embolectomia cirúrgica, 19% e 28% dos pacientes precisaram de reanimação após a indução anestésica, mesmo estando hemodinamicamente estáveis na hora. Por isso a diretriz classifica sedação profunda e ventilação invasiva sem indicação como dano, e exige que o resgate esteja montado antes da indução, não depois. Se dá para oxigenar com alto fluxo, oxigene com alto fluxo.

AHA/ACC 2026 — vasopressor/inotrópico no choque D2–E2 (Classe 1, C-LD); volume em D1–2 com pré-carga baixa suspeitada (Classe 2b, C-LD); vasodilatador pulmonar inalatório C2–E (Classe 2b, B-R); cateter nasal de alto fluxo (Classe 2a, C-LD); suporte pronto antes de sedar (Classe 1, C-LD); sedação profunda/VM sem indicação (Classe 3: Dano, C-LD); ECMO VA no E2 (Classe 2a, B-NR) e anticoagulação em ECMO (Classe 1, B-NR).
Acionar o time de TEP (PERT) — antes de escolher a terapia avançada
recomendação formal nas categorias C a E, e não é burocracia: é o que encurta o tempo até o tratamento certo
Categorias C, D e E: avaliação por equipe multidisciplinar de TEP — recomendação Classe 1
Categorias A e B com comorbidade pesada também podem se beneficiar (o exemplo da própria diretriz: categoria B com hemorragia intracraniana)
Sem PERT montado no serviço, o substituto é combinar antes quem decide: quem tem hemodinâmica, quem tem cirurgia cardíaca, e para onde se transfere
Por quê & armadilhas

A escolha entre trombólise sistêmica, cateter, trombectomia e cirurgia não é decisão de folha de prescrição — e as evidências que separam essas opções são fracas o suficiente para que a estrutura local pese tanto quanto o artigo. É por isso que a diretriz de 2026 colocou o PERT como recomendação Classe 1 e como uma das dez mensagens principais: onde ele existe, o tempo até a anticoagulação e até a terapia avançada cai. Num serviço sem PERT, o item acionável é anterior à emergência — saber de véspera para quem ligar às 3 da manhã.

AHA/ACC 2026 — avaliação por PERT nas categorias C–E (Classe 1, B-NR; mensagem 6).
Trombólise sistêmica — a indicação agora se lê pela categoria
razoável em E1–E2; considerável em D1–D2; incerta em C3; dano de A1 a C2
E1 e E2 (choque, choque refratário, PCR) com risco de sangramento aceitável → trombolisar é razoável, sobre anticoagulação isolada, para reduzir mortalidade e recorrência
D1 e D2 (hipotensão transitória, com ou sem má perfusão) com risco aceitável → pode ser considerada para evitar deterioração — é a fatia nova, que a régua antiga chamava de estável
C3incerta. A diretriz não fecha a favor nem contra
A1 até C2não usar — sangramento maior e hemorragia intracraniana sem ganho (Classe 3: Dano)
Alteplase 100 mg EV em 2 h (esquema mais usado) · parada iminente/PCR: regime acelerado 0,6 mg/kg (máx. 50 mg) em 15 min
Dose reduzida (25–50 mg de alteplase) pode ser considerada para diminuir sangramento — evidência emergente, sem ensaio de superioridade
Checar contraindicações — tabela abaixo · evitar procedimentos invasivos não essenciais antes da lise · durante/após: HNF (não DOAC)
AbsolutasRelativas
AVC hemorrágico ou AVC de origem desconhecida (qualquer época)AIT nos últimos 6 meses
AVC isquêmico nos últimos 6 mesesAnticoagulação oral em uso
Neoplasia de sistema nervoso centralGestação ou 1ª semana pós-parto
Trauma maior, cirurgia ou TCE nas últimas 3 semanasPunção em sítio não compressível
Diátese hemorrágicaReanimação traumática
Sangramento ativoHipertensão refratária (PAS > 180 mmHg)
Doença hepática avançada
Endocardite infecciosa
Úlcera péptica ativa
⚠ No TEP de alto risco com ameaça imediata à vida (E2, parada iminente), a própria ESC registra que as contraindicações absolutas podem virar relativas — a decisão é do risco competente de morrer do TEP agora
Por quê & armadilhas

Vale saber o tamanho da evidência antes de tratá-la como certeza: no TEP de alto risco ela se resume a quatro ensaios pequenos, 224 pacientes no total — daí a recomendação em E1–E2 ser "razoável" (Classe 2a) e não forte. O que esses estudos mostram é desobstrução rápida e melhora do VD; o preço é 9,9% de sangramento grave e 1,7% de hemorragia intracraniana. Diante de parada iminente esse preço se paga; diante de troponina positiva com pressão normal, não.

É aqui que a classificação nova muda a decisão de plantão. O velho "intermediário-alto" virava uma discussão única, resolvida pelo PEITHO com um não. As categorias separam esse grupo: o C2–C3 segue sem indicação (e de A1 a C2 a trombólise é classificada como dano), mas o D1–D2 — hipotensão que já apareceu, ainda que transitória, ou má perfusão instalada — passou a ter indicação explícita de considerar. Reconhecer que o paciente saiu de C e entrou em D é a habilidade que essa diretriz cobra.

AHA/ACC 2026 — trombólise sistêmica em E1–2 (Classe 2a, C-LD), D1–2 (Classe 2b, C-LD), C3 incerta (Classe 2b, C-LD), dose reduzida (Classe 2b, C-LD) e A1–C2 (Classe 3: Dano, B-R) · PEITHO (NEJM 2014).
Cateter, trombectomia e cirurgia — as alternativas de quem não pode sangrar
mesmas categorias da trombólise; a vantagem declarada é menos sangramento, não mais eficácia
Trombólise dirigida por cateter (CDL)razoável em E1 · pode ser considerada em D1–D2 · benefício incerto em C2–C3 · não indicada de A a C1
Dose na CDL: 5 a 10 mg de alteplase por artéria pulmonarnão usar dose reduzida < 5 mg por artéria achando que sangra menos: não reduziu sangramento nem deterioração
Trombectomia mecânicarazoável em E1 · pode ser considerada em D1–D2 · incerta em C2–C3 · não indicada de A a C1
Embolectomia cirúrgicarazoável em E1 · pode ser considerada em D1–D2 · não indicada de A a C3 · não indicada em E2 fora de suporte circulatório mecânico
Escolher entre elas: em D1–E1, cateter, trombectomia e cirurgia podem ser preferidos à trombólise sistêmica para reduzir sangramento — a eficácia comparativa segue indefinida
Por quê & armadilhas

As três terapias percutâneas e cirúrgicas ocupam exatamente a mesma faixa de categorias da trombólise sistêmica — e nenhuma demonstrou superioridade de eficácia sobre ela. O argumento a favor é outro e está escrito na diretriz: reduzir sangramento, e no caso da cirurgia, reduzir hemorragia intracraniana. Ou seja, a pergunta prática não é "qual funciona mais", é "este paciente pode receber trombolítico sistêmico?". Se pode e não há equipe, trombolise. Se não pode e há equipe, o cateter existe para isso.

Duas armadilhas específicas. A primeira: dose menor de trombolítico no cateter não é mais segura — abaixo de 5 mg por artéria pulmonar não houve redução de sangramento nem de deterioração, então é subdose sem prêmio. A segunda: embolectomia cirúrgica no E2 sem suporte circulatório não é recomendada — no choque refratário e na parada, a sequência que a diretriz desenha passa pelo ECMO VA antes, não pela mesa direto.

AHA/ACC 2026 — CDL em E1 (Classe 2a, C-LD), D1–2 (Classe 2b, B-NR), C2–3 incerta, A–C1 sem benefício, dose < 5 mg/AP sem benefício (B-NR) · trombectomia mecânica em E1 (Classe 2a, B-NR), D1–2 (Classe 2b), A–C1 sem benefício · embolectomia cirúrgica em E1 (Classe 2a, B-NR), D1–2 (Classe 2b, C-LD), A–C3 e E2 sem suporte mecânico sem benefício · mensagem 5.
Dor pleurítica, febre e náusea
analgesia sem sabotar a anticoagulação
Dipirona 1 g EV/VO até 6/6 h SN (dor ou febre) · opioide fraco se refratária · evitar AINE em quem está plenamente anticoagulado
Ondansetrona 4–8 mg EV até 8/8 h SN ou metoclopramida 10 mg EV 8/8 h SN — ondansetrona prolonga QT: corrigir K e Mg, e considerar ECG em cardiopata, bradiarritmia, QT longo ou uso de outro prolongador (amiodarona) · metoclopramida não é automática: distonia, acatisia, parkinsonismo, sonolência e discinesia tardia — reduzir dose repetida no idoso e na disfunção renal/hepática
Por quê & armadilhas

A dor pleurítica do infarto pulmonar é real e limita a respiração — trate. Só não trate com AINE em cima de anticoagulação plena: é somar antiagregação plaquetária e lesão de mucosa a quem já sangra fácil. Dipirona resolve a maioria; febre baixa nos primeiros dias pode ser do próprio infarto pulmonar, mas febre alta persistente pede procurar outra causa.

Kit do internado — sem dupla heparina
o padrão das outras páginas, com as exceções do anticoagulado — e a alta que depende da categoria
Dieta VO se estável (zero se instável/muito sintomático, reavaliando cedo) · HGT 6/6 h se DM/jejum/crítico — alvo 140–180, protocolo do serviço · monitorização + débito urinário nas categorias C3 a E · sem profilaxia de TEV (anticoagulação já é plena) · deambular assim que anticoagulado e estável
Onde cada categoria fica: A vai para casa direto do PS · B tem alta precoce · C, D e E internam · quem precisa de UTI deve chegar lá em até 6 h
Por quê & armadilhas

Duas heranças antigas caem aqui: a profilaxia de TEV (redundante — e perigosa — sobre anticoagulação plena) e o repouso absoluto: uma vez anticoagulado e estável, deambular é seguro e o repouso prolongado só adiciona risco. O débito urinário no grave não é burocracia — é o marcador mais simples de que o VD está dando conta do débito.

ADA 2026 (glicemia hospitalar) · diretrizes de TEV.
Dieta
a primeira linha da prescrição que todo mundo escreve no automático
Dieta conforme o quadro — via oral se desperta, deglute e não há procedimento previsto · zero se rebaixado, instável ou com via aérea em risco, reavaliando cedo · sonda enteral se o jejum passar de 48–72 h
Jejum tem data e hora — escrever o motivo e quando reavaliar. "Jejum" sem prazo vira desnutrição de terceira semana
Disfagia: triagem antes da primeira colher em qualquer rebaixamento, AVC ou pós-extubação — falhou, sonda; a medicação também passa por ela
Por quê & armadilhas

O jejum prolongado é a prescrição mais barata de escrever e uma das mais caras de sustentar: cada dia sem aporte custa massa muscular num paciente que vai precisar dela para desmamar, sentar e andar. A pergunta de visita não é "está em jejum?", é "por que ainda está, e até quando?".

Cuidados de enfermagem — a rotina que evita a segunda doença
decúbito, pele, cabeceira e oxigênio: o que não aparece na evolução até virar problema
Sinais vitais e rotina de UTI 2/2 h (espaçar conforme estabilidade) · balanço hídrico e diurese registrados
Cabeceira 30–45° — reduz aspiração e pneumonia associada à ventilação · abaixar só com motivo escrito (choque, procedimento)
Mudança de decúbito 2/2 h + avaliação diária da pele nas proeminências (sacro, calcâneo, occipital, trocânter) · colchão de redistribuição de pressão no imóvel
Curativos inspecionados por turno; datar a troca · higiene oral com antisséptico no intubado · olhos lubrificados no sedado
Fisioterapia — fisioterapia motora e respiratória desde o primeiro dia, conforme tolerância
Oxigênio conforme necessidade: SpO₂ ≥ 90%. Oxigênio é droga: tem alvo, tem dose e tem excesso
Por quê & armadilhas

Estes itens não competem com a doença principal — eles decidem se o paciente sai da UTI com a doença resolvida e o corpo inteiro, ou resolvido e com uma lesão por pressão em sacro que vai custar meses. Lesão por pressão, pneumonia por aspiração e fraqueza adquirida na UTI são as três complicações que a prescrição previne com linhas que ninguém lê.

A cabeceira elevada é o exemplo perfeito: é gratuita, tem efeito documentado sobre pneumonia associada à ventilação, e é a primeira coisa que se perde quando o leito é abaixado para um procedimento e ninguém sobe de volta.

Profilaxia de úlcera de estresse — só com indicação
não é carimbo de internação: sem fator de risco, o dano supera o benefício
Com indicação: inibidor de bomba de prótons — omeprazol ou pantoprazol 40 mg EV ou VO 1×/dia, conforme padronização do serviço
Reavaliar a indicação todo dia — ela costuma sumir antes da alta da UTI, e a prescrição costuma continuar.
O preço de prescrever sem indicação: mais pneumonia associada à ventilação, mais C. difficile, e a prescrição crônica que sai junto na receita de alta
Há indicação de profilaxia? fator maior ou 2 menores
Por quê & armadilhas

Os dois fatores de risco independentes clássicos vêm do estudo de Cook: ventilação mecânica prolongada e coagulopatia. Fora deles, o sangramento clinicamente importante é raro o suficiente para que o dano da supressão ácida — pneumonia e colite por C. difficile — comece a pesar mais.

A armadilha real não é começar, é não parar. A indicação some quando o paciente extuba e a coagulação normaliza; a prescrição, não. É assim que um inibidor de bomba iniciado numa UTI vira uso crônico de anos, com a hipomagnesemia que ele causa aparecendo lá na frente, sem que ninguém ligue os dois.

Cook DJ, Fuller HD, Guyatt GH, et al. Risk factors for gastrointestinal bleeding in critically ill patients. N Engl J Med. 1994;330(6):377–381 — os dois fatores independentes. Os fatores menores vêm de consensos posteriores; não há escore validado único.
Profilaxia de TEV — aqui não: a anticoagulação plena É o tratamento
somar profilaxia à dose plena é dose dupla sem ganho — o que exige plano é a pausa
O paciente com TEP está (ou deveria estar) em anticoagulação plena — profilaxia adicional não entra
Anticoagulação suspensa (sangramento, procedimento, plaquetopenia): compressão pneumática intermitente enquanto durar a pausa — e a retomada com hora marcada, decidida ativamente, não "reavaliar amanhã"
Não somar profilaxia a quem já está em anticoagulação plena — é dose dupla sem ganho
O escore de Pádua não se aplica aqui — ele existe para o paciente clínico sem indicação de anticoagulação plena
Por quê & armadilhas

O escore de Pádua foi construído justamente para separar quem se beneficia de quem só recebe: no estudo original, os pacientes de alto risco sem profilaxia tiveram cerca de 11% de TEV, contra pouco mais de 2% nos de baixo risco. É essa diferença que justifica prescrever — e que explica por que prescrever para todo mundo dilui o benefício e soma sangramento.

Duas armadilhas de plantão. A primeira é a dose fixa em quem não a comporta: no ClCr abaixo de 30 a enoxaparina acumula, e a dose profilática vira quase terapêutica. A segunda é a soma silenciosa — o paciente que já recebe heparina plena por outro motivo e ganha mais 40 mg de enoxaparina porque "está internado".

Barbar S, Noventa F, Rossetto V, et al. A risk assessment model for the identification of hospitalized medical patients at risk for venous thromboembolism: the Padua Prediction Score. J Thromb Haemost. 2010;8(11):2450–2457.

O que não prescrever

Itens que pioram o desfecho no TEP.

Trombólise sistêmica das categorias A1 a C2 — classificada como dano: sangramento maior e hemorragia intracraniana sem ganho. Cateter ou trombectomia mecânica de A a C1 e embolectomia cirúrgica de A a C3 — sem benefício sobre anticoagular. Embolectomia cirúrgica no E2 fora de suporte circulatório. Alteplase < 5 mg por artéria pulmonar na trombólise dirigida — não reduz sangramento nem deterioração. Sedação profunda e ventilação invasiva sem indicação nas categorias C a E — também classificadas como dano. Volume liberal no VD falido. Dobutamina "sempre associada" sem baixo débito documentado. HNF só "porque é grave" — a preferida de C1 a E1 é a HBPM. HNF com dose de SCA (60/12) — no TEV é 80/18. DOAC sem fase de ataque (rivaroxabana 20 direto, apixabana 5 direto). DOAC na gestação e na SAF trombótica. AINE + anticoagulação plena. Profilaxia de TEV somada à plena. E repouso absoluto prolongado.

Prescreveu — e agora?

O internado em categoria C precisa de olhos: piora de perfusão, lactato subindo ou síncope nova significa que ele migrou para D — e D tem indicação de considerar terapia avançada. O suporte do VD instável é raciocínio de choque obstrutivo — padrões hemodinâmicos e drogas vasoativas. E a decisão de quanto tempo anticoagular (3 meses × indefinido) merece consulta dedicada — provocado, não provocado, câncer e trombofilia mudam a resposta.

Levar o caso ao assistente de conduta
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