Procedimentos — Acesso vascular

Linha Arterial

Cateter intra-arterial para monitorização contínua de PA e gasometrias — indicações, sítios, técnica na artéria radial e complicações.

Cateter20G sobre agulha
GuiaUSG (recomendado)
ZeragemPonto flebostático

Cateter em artéria periférica para monitorização contínua da pressão arterial e coleta de gasometrias frequentes. A artéria radial é o sítio padrão — superficial, compressível, com circulação colateral pela ulnar. USG melhora a taxa de sucesso na primeira tentativa, especialmente em pacientes com pulso fraco.

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Indicações

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Sítios alternativos

ArtériaUsoLimitação
Radial (padrão)1ª escolha em adultosPode ser difícil em hipotensão grave ou vasospasmo
FemoralEmergência, sem pulso radial palpávelNão compressível facilmente; maior risco de infecção; limita mobilização
BraquialAlternativa quando radial inviávelArtéria terminal — sem circulação colateral; maior risco de isquemia
UlnarRadial ocluída; reservar se radial falharMais difícil de palpar; calibre menor
Dorsal do péPediátrico / quando membros superiores inviáveisColuna de pressão mais longa → ondas de pressão amplificadas
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Material

Cateter arterial 20G (adulto) ou kit com fio-guia (Seldinger) Seringa 5 mL + agulha 25G para anestesia Lidocaína 1% (0,5–1 mL — só subcutâneo) Extensão + transdutor de pressão + sistema de flush contínuo Rolinho de gaze para dorsiflexão do punho Curativo transparente + fixador USG com transdutor linear (recomendado)
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Técnica — artéria radial (cateter sobre agulha)

Teste de Allen modificado: Comprimir radial e ulnar simultaneamente até a mão empalidecer. Soltar a ulnar — a mão deve reperfundir em < 10 s (arco palmar pérvio). Se > 10 s: circulação colateral inadequada. Na prática clínica, teste de Allen positivo (ruim) não é contraindicação absoluta se a USG confirmar fluxo radial e ulnar, mas prefira o outro punho.
  1. 1Posicionar o punho em dorsiflexão de 30–45° com apoio de rolinho sob o dorso. Fixar levemente com esparadrapo. Hiperflexão comprime a artéria — evitar.
  2. 2Palpar o pulso radial 2 cm proximal ao processo estiloide do rádio. Se fraco: USG transversal para visualizar a artéria.
  3. 3Antissepsia com clorexidina. Anestesia local: 0,3–0,5 mL de lidocaína 1% subcutânea bilateral ao vaso (não infiltrar em cima da artéria — causa vasospasmo).
  4. 4Inserir o cateter 20G a 30–45° de inclinação, bisel para cima, direcionado para o pulso. Avançar até surgir flash de sangue na câmara.
  5. 5Técnica cateter-sobre-agulha: Ao ver o flash, achatar o ângulo para 10–15° e avançar mais 1–2 mm para garantir que o cateter (não só a agulha) está dentro da artéria. Retirar o mandril e deslizar o cateter plástico.
  6. 6Técnica Seldinger (alternativa, mais fácil em artérias difíceis): Ao ver o flash, introduzir o fio-guia pela agulha, retirar a agulha e deslizar o cateter sobre o fio.
  7. 7Comprimir o rádio proximal ao cateter, conectar a extensão pré-cheia e o transdutor. Soltar a compressão — deve surgir onda de pressão arterial na tela.
  8. 8Fixar com curativo transparente. Zeragem do transdutor ao nível do flebostático (4° espaço intercostal, linha axilar média).
Teoh WH, Kristensen MS. Arterial Lines — StatPearls. NCBI Bookshelf NBK499989. 2025. Scheer B et al. Clinical review: complications and risk factors of peripheral arterial catheters used for haemodynamic monitoring in anaesthesia and intensive care medicine. Crit Care 6(3):199–204, 2002. PMID: 12133178 Arterial Line Placement Using Modified Seldinger Technique. Cureus 2023. PMC10369313
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Complicações & pitfalls

Oclusão / trombose radial~5% — maioria assintomática (circulação ulnar). Se isquemia: remover cateter imediatamente. Prevenção: sistema de flush contínuo com SF heparinizado (3 mL/h).
Isquemia de mãoRara (< 0,1%). Fatores: artéria braquial, PAD muito baixa, múltiplas tentativas, vasospasmo. Monitorizar coloração, temperatura e SpO₂ do dedo.
Hematoma localPunção posterior + saída acidental. Comprimir 3–5 min após tentativa falhada. Em anticoagulado: 10 min.
Infecção / ICSRCMenor risco que CVC. Trocar sítio se sinais locais de infecção. Não trocar por rotina a cada X dias sem indicação clínica.
Injeção arterial acidentalNunca usar a linha arterial para infusão de drogas. Identificar claramente (etiqueta vermelha) e não conectar seringas de medicação.
O que não fazer