Procedimentos — Acesso vascular
Linha Arterial
Cateter intra-arterial para monitorização contínua de PA e gasometrias — indicações, sítios, técnica na artéria radial e complicações.
Cateter em artéria periférica para monitorização contínua da pressão arterial e coleta de gasometrias frequentes. A artéria radial é o sítio padrão — superficial, compressível, com circulação colateral pela ulnar. USG melhora a taxa de sucesso na primeira tentativa, especialmente em pacientes com pulso fraco.
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Indicações
- Choque ou instabilidade hemodinâmica — monitorização PA batimento a batimento
- Drogas vasoativas com titulação frequente
- Necessidade de gasometrias seriadas (insuficiência respiratória grave, desmame de VM)
- Cirurgias de grande porte cardiovascular ou neurocirúrgica
- Hipertensão grave ou crise hipertensiva em tratamento IV
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Sítios alternativos
| Artéria | Uso | Limitação |
|---|---|---|
| Radial (padrão) | 1ª escolha em adultos | Pode ser difícil em hipotensão grave ou vasospasmo |
| Femoral | Emergência, sem pulso radial palpável | Não compressível facilmente; maior risco de infecção; limita mobilização |
| Braquial | Alternativa quando radial inviável | Artéria terminal — sem circulação colateral; maior risco de isquemia |
| Ulnar | Radial ocluída; reservar se radial falhar | Mais difícil de palpar; calibre menor |
| Dorsal do pé | Pediátrico / quando membros superiores inviáveis | Coluna de pressão mais longa → ondas de pressão amplificadas |
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Material
Cateter arterial 20G (adulto) ou kit com fio-guia (Seldinger)
Seringa 5 mL + agulha 25G para anestesia
Lidocaína 1% (0,5–1 mL — só subcutâneo)
Extensão + transdutor de pressão + sistema de flush contínuo
Rolinho de gaze para dorsiflexão do punho
Curativo transparente + fixador
USG com transdutor linear (recomendado)
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Técnica — artéria radial (cateter sobre agulha)
Teste de Allen modificado: Comprimir radial e ulnar simultaneamente até a mão empalidecer. Soltar a ulnar — a mão deve reperfundir em < 10 s (arco palmar pérvio). Se > 10 s: circulação colateral inadequada. Na prática clínica, teste de Allen positivo (ruim) não é contraindicação absoluta se a USG confirmar fluxo radial e ulnar, mas prefira o outro punho.
- 1Posicionar o punho em dorsiflexão de 30–45° com apoio de rolinho sob o dorso. Fixar levemente com esparadrapo. Hiperflexão comprime a artéria — evitar.
- 2Palpar o pulso radial 2 cm proximal ao processo estiloide do rádio. Se fraco: USG transversal para visualizar a artéria.
- 3Antissepsia com clorexidina. Anestesia local: 0,3–0,5 mL de lidocaína 1% subcutânea bilateral ao vaso (não infiltrar em cima da artéria — causa vasospasmo).
- 4Inserir o cateter 20G a 30–45° de inclinação, bisel para cima, direcionado para o pulso. Avançar até surgir flash de sangue na câmara.
- 5Técnica cateter-sobre-agulha: Ao ver o flash, achatar o ângulo para 10–15° e avançar mais 1–2 mm para garantir que o cateter (não só a agulha) está dentro da artéria. Retirar o mandril e deslizar o cateter plástico.
- 6Técnica Seldinger (alternativa, mais fácil em artérias difíceis): Ao ver o flash, introduzir o fio-guia pela agulha, retirar a agulha e deslizar o cateter sobre o fio.
- 7Comprimir o rádio proximal ao cateter, conectar a extensão pré-cheia e o transdutor. Soltar a compressão — deve surgir onda de pressão arterial na tela.
- 8Fixar com curativo transparente. Zeragem do transdutor ao nível do flebostático (4° espaço intercostal, linha axilar média).
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Complicações & pitfalls
Oclusão / trombose radial~5% — maioria assintomática (circulação ulnar). Se isquemia: remover cateter imediatamente. Prevenção: sistema de flush contínuo com SF heparinizado (3 mL/h).
Isquemia de mãoRara (< 0,1%). Fatores: artéria braquial, PAD muito baixa, múltiplas tentativas, vasospasmo. Monitorizar coloração, temperatura e SpO₂ do dedo.
Hematoma localPunção posterior + saída acidental. Comprimir 3–5 min após tentativa falhada. Em anticoagulado: 10 min.
Infecção / ICSRCMenor risco que CVC. Trocar sítio se sinais locais de infecção. Não trocar por rotina a cada X dias sem indicação clínica.
Injeção arterial acidentalNunca usar a linha arterial para infusão de drogas. Identificar claramente (etiqueta vermelha) e não conectar seringas de medicação.
O que não fazer
- Hiperflexão do punho → comprime a artéria, dificulta punção e causa falha
- Anestesia em cima da artéria → vasospasmo, pulso some
- Não zerear o transdutor → valores de PA errôneos
- Posição do transdutor errada → cada 10 cm acima/abaixo do ponto flebostático = ±7,5 mmHg de erro
- Não identificar a linha arterial → infusão inadvertida de droga intra-arterial (pode causar isquemia irreversível)