Hemodinâmica · Casos

Casos Práticos

4 casos cobrindo os 4 quadrantes

8 cenários simulados — 2 por quadrante

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Como usarLeia a apresentação e os dados de cada caso. Tente identificar o quadrante (Q1–Q4) e o tipo de choque antes de clicar em "Ver análise". Os casos são fictícios — construídos para ilustrar padrões clínicos reais.
Caso 1 · Q1-A
Apresentação

Mulher, 42 anos, diabética em uso crônico de metformina. Internada por celulite em MID em antibioticoterapia há 24 h. Plantonista chamado por lactato 4,2 mmol/L em coleta de rotina. PA 118 × 76 mmHg, FC 88, FR 16, SpO₂ 97% em AA, diurese mantida, enchimento capilar 2 s, pele quente e corada.

Dados
PAM
90 mmHg
Lactato
4,2 mmol/L
SvcO₂
74%
Δ pCO₂
4 mmHg
Hb
11,8 g/dL
SaO₂
97%
Análise — Quadrante 1

SvcO₂ 74% (≥ 70%) e Δ pCO₂ 4 mmHg (< 6) → Q1 — perfusão global adequada. O lactato elevado existe, mas não é por choque. Hiperlactatemia tipo B por metformina + processo inflamatório.

Conduta

Manter ATB. Suspender metformina temporariamente. Repetir gasometria em 4 h. Não administrar volume reflexo pelo lactato isolado.

Ensina

Lactato isolado não define choque — SvcO₂ e Δ pCO₂ são os árbitros do fluxo tecidual. Tipo B: metformina, álcool, insuf. hepática, malignidades, deficiência de tiamina, CO.

Caso 2 · Q1-B
Apresentação

Homem, 58 anos, cirrose Child-B. Admitido por confusão mental leve após ITU. Recebeu 1 L de cristaloide. PA 108 × 70 mmHg, FC 96, SpO₂ 95%, ascite moderada, enchimento capilar 2 s, diurese 0,6 mL/kg/h. Lactato: 3,6 mmol/L.

Dados
PAM
83 mmHg
Lactato
3,6 mmol/L
SvcO₂
78%
Δ pCO₂
3 mmHg
VCI
2,0 cm, variação 25%
Análise — Quadrante 1

SvcO₂ 78% e Δ pCO₂ 3 mmHg → Q1 — perfusão global preservada. Lactato elevado por clearance hepático reduzido cronicamente (cirrose). Não é choque.

Conduta

ATB empírico para ITU. Não expandir às cegas — risco de SHR e PBE. Repetir gasometria em 6 h.

Ensina

Cirrótico com lactato alto ≠ choque até prova em contrário. VCI não colapsável em cirrótico pode ser ascite, não hipervolemia — POCUS diferencia.

Caso 3 · Q2-A
Apresentação

Homem, 68 anos, coronariopata (3 stents). PS por melena há 3 dias e dispneia progressiva. PA 102 × 64 mmHg, FC 108, SpO₂ 91%, palidez importante, enchimento capilar 3 s, pele fria.

Dados
SvcO₂
56%
Δ pCO₂
5 mmHg
Hb
6,2 g/dL
SaO₂
92%
VCI
1,4 cm, colapsável
Análise — Quadrante 2

SvcO₂ 56% e Δ pCO₂ 5 mmHg → Q2 — problema na oferta de O₂. Fluxo preservado, mas Hb 6,2 colapsa a DO₂. Em coronariopata Hb < 7 = risco de angina por demanda.

Conduta

Transfusão imediata — alvo Hb ≥ 8–9 em coronariopata. IBP EV. EDA em 12–24 h.

Ensina

Q2 = rodar tríade DO₂: Hb · SaO₂ · DC — qual caiu? Aqui é a Hb. Transfusão é diagnóstico e tratamento.

Caso 4 · Q2-B
Apresentação

Mulher, 29 anos, trauma motociclístico — fratura fechada de fêmur bilateral e pelve. PA 88 × 56 mmHg, FC 138, SpO₂ 99% em O₂ máscara, pele fria, enchimento capilar 4 s. Hemostasia cirúrgica em andamento.

Dados
Lactato
6,1 mmol/L
SvcO₂
52%
Δ pCO₂
4 mmHg
Hb
7,4 g/dL
VCI
1,1 cm, muito colapsável
Análise — Quadrante 2

SvcO₂ 52% e Δ pCO₂ 4 mmHg → Q2 — oferta colapsando por hemorragia. Δ pCO₂ ainda ok = janela estreita antes do colapso total. Hemostasia é a prioridade.

Conduta

Protocolo de transfusão maciça (CH:PFC:plaquetas 1:1:1). Ácido tranexâmico 1 g EV se < 3 h. Hipotensão permissiva PAM 50–65 até controle cirúrgico. Cristaloide mínimo.

Ensina

Δ pCO₂ normal em trauma hemorrágico é última defesa — pode descompensar a qualquer momento. Sang + cirurgia, não soro.

Caso 5 · Q3-A
Apresentação

Mulher, 35 anos, pielonefrite com bacteremia. Em Nora 0,15 μg/kg/min após 2 L. PAM em alvo, "SvcO₂ ótima". PA 92 × 50 mmHg, FC 122, SpO₂ 96%, enchimento capilar 4 s, diurese 0,3 mL/kg/h.

Dados
Lactato
3,8 mmol/L
SvcO₂
82%
Δ pCO₂
9 mmHg
VCI
1,8 cm, variação 30%
FE
Hiperdinâmica
Análise — Quadrante 3 (o mais traiçoeiro)

SvcO₂ 82% mas Δ pCO₂ 9 mmHg → Q3 — falsa segurança. Sepse hiperdinâmica: shunting microcirculatório eleva SvcO₂ mas o CO₂ acumula localmente. Enchimento capilar 4 s + oligúria + lactato sem tendência = ressuscitação incompleta.

Conduta

Pesquisar foco (USG/TC de vias urinárias). PLR: se responsivo, bolus 250 mL. Se não, escalonar Nora + vasopressina. Hidrocortisona se Nora escalando > 4 h.

Ensina

Regra do plantão: sempre cruzar SvcO₂ com Δ pCO₂. Q3 mata por falsa tranquilidade. Três perguntas: foco controlado? ATB cobrindo? Ainda responsivo a volume?

Caso 6 · Q3-B
Apresentação

Homem, 55 anos, pneumonia em IOT+VM há 48 h. Evoluiu bem até esta madrugada. PA 100 × 58 mmHg, FC 102, SpO₂ 94% (FiO₂ 0,5, PEEP 8), enchimento capilar 3 s, diurese 0,4 mL/kg/h.

Dados
SvcO₂
76%
Δ pCO₂
8 mmHg
VCI
2,2 cm, dIVC 10%
FE
Normal
Análise — Quadrante 3

SvcO₂ 76% mas Δ pCO₂ 8 mmHg → Q3 — hipoperfusão silenciosa. VCI 2,2 cm + dIVC 10% = não responsivo a volume. FE normal descarta cardiogênico. Provável hipóxia citopática ou foco não controlado.

Conduta

Não dar volume. TC de tórax (progressão, empiema). Rever ATB. Otimizar PEEP e SaO₂ ≥ 94%. Considerar vitamina C + tiamina.

Ensina

Q3 ocorre mesmo em "estabilizados" na UTI. Δ pCO₂ é o sinal mais sensível de fluxo inadequado quando o resto parece ok.

Caso 7 · Q4-A
Apresentação

Homem, 72 anos, IAM anterior com supra ST extenso há 6 h. PA 78 × 54 mmHg, FC 118, SpO₂ 88% em MNR, pele fria e marmórea, enchimento capilar 5 s, sem diurese.

Dados
SvcO₂
48%
Δ pCO₂
11 mmHg
FE
~25%, acinesia anterior
VCI
2,4 cm, sem colapso
Pulmão
Linhas B difusas
Análise — Quadrante 4

SvcO₂ 48% e Δ pCO₂ 11 mmHg → Q4 — baixo débito + hipoperfusão grave. FE 25% + VCI dilatada + linhas B = choque cardiogênico com congestão. Sem reperfusão do VE, inotrópico não recupera.

Conduta

ICP primária imediata. Nora para PAM ≥ 65, depois Dobutamina. VNI para edema. Sem volume, sem β-bloqueador, sem nitrato.

Ensina

Em cardiogênico, reperfusão muda mortalidade. Ordem: Nora primeiro (PAM ≥ 65), depois Dobutamina. Dobutamina em PAM 62 sem Nora = vasodilatação → piora.

Caso 8 · Q4-B
Apresentação

Mulher, 44 anos, trauma torácico fechado por queda. Dispneia súbita, agitação, turgência jugular. PA 82 × 60 mmHg, FC 128, SpO₂ 88%. Bulhas abafadas. Traqueia na linha média.

Dados
SvcO₂
51%
Δ pCO₂
12 mmHg
VCI
2,5 cm, sem colapso
Pericárdio
Derrame + colapso AD
FE
Preservada, VE hiperdinâmico
Análise — Quadrante 4

SvcO₂ 51% e Δ pCO₂ 12 mmHg → Q4 obstrutivo. FE preservada + colapso AD = tamponamento. POCUS fecha o diagnóstico em segundos.

Conduta

Pericardiocentese de urgência guiada por POCUS. 250–500 mL de cristaloide como ponte. Nora transitoriamente para PAM ≥ 65.

Ensina

Q4 obstrutivo vs. cardiogênico: tamponamento = FE boa + colapso AD; cardiogênico = FE ruim. Volume mata em cardiogênico, mas salva minutos no tamponamento.

Resumo dos 8 casos
CasoQAchado-chaveErro a evitar
1 · Diabética / metforminaQ1Lactato alto, demais okVolume reflexo pelo lactato isolado
2 · Cirrótico / ITUQ1Lactato por clearance hepático reduzidoConfundir hiperlactatemia hepática com choque
3 · Coronariopata / melenaQ2Hb 6,2 dominando a ofertaFocar só no DC e esquecer a Hb
4 · Trauma pélvico hemorrágicoQ2Hb caindo, Δ pCO₂ ainda okEncher de cristaloide em vez de hemostasia
5 · Pielonefrite / SvcO₂ altaQ3SvcO₂ 82% + Δ pCO₂ 9 mmHgTranquilizar com SvcO₂ sem buscar foco
6 · Pneumonia em VMQ3Δ pCO₂ alto + não responsivo a volumeDar volume cego em VCI dilatada
7 · IAM anterior extensoQ4VE hipodinâmico + linhas BDar volume ou retardar reperfusão
8 · Tamponamento pós-traumaQ4Derrame + colapso AD + FE preservadaTratar como cardiogênico sem drenar